"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
************
"I am nothing.
I will never be anything.
I cannot want to be anything.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."
or...
"I am not nothing.
I will never be nothing.
I cannot want to be nothing.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."
(Álvaro de Campos in "Tabacaria")
LISBOA - Chiado
"Fernando Pessoa" by Lagoa Henriques. The place: "Café A Brasileira" (Brazilian Café) - 1905.
PLAYLIST TODAY
MUSIC IS THE PASSION REPORT
♥ ♥ ♥
PLAYING SOFTLY WHILE SOMEONE SANG THE BLUES
Saturday, Jul 22, 2017 - 17:57
SALVADOR SOBRAL - NEM EU [DORIVAL CAYMMI]
YouTube – "Salvador Sobral"
ANTONY HEGARTY + LEONARD COHEN - IF IT BE YOUR WILL [COHEN]
YouTube – "Oggmonster"
CHAN MARSHALL (CAT POWER) - I'VE BEEN LOVING YOU TOO LONG [OTIS REDDING]
YouTube – "anaruido"
JANIS JOPLIN - ME & BOBBY MCGEE [CHRIS CHRISTOPHERSON]
YouTube – "ThE DuCk"
JEFF BUCKLEY - LILAC WINE [JAMES SHELTON]
YouTube – "
roberta panzeri"
DAVID BOWIE - WILD IS THE WIND [JOHNNY MATHIS]
YouTube – "Peter Music HD"
_____________________
LEANING INTO THE AFTERNOONS by PABLO NERUDA
«Inclinado en las Tardes»
YouTube - "FourSeasons Productions"
CHANGING BATTERIES - OSCAR WINNING ANIMATED SHORT FILM
YouTube - "Bzzz Day"
DIALA BRISLY - A BEAUTIFUL YOUNG LADY
(a huge thanks to my daughter who e-mailed this video to me)
BBC Newsnight
«Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman - artist Diala Brisly - who is trying to make life that little bit more bearable for Syria's kids.»
Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman -...
I got here to hide. From equations and patterns. From repetition, after all.
Closed the door and got me a special place where I thought I could
somehow sit close to the stars. But I soon found out that the sky was
still opaque, no matter what the steps. And so I left. Again.
I thought, then, I could build me a different ceiling, a new-coloured scrap
of highness. And then make it work. Where I could dream, more than I sleep.
I have long decided that sleeping is overrated - that I know for sure. So I
take that time instead to travel the night alone and in the meantime I allow
myself to fly, unlike stated before... Yes, I like playing with paradox, to
expose the inside of words and the revelation of writing down the voice of a
silence. My adventurous, ever-walking silence.
So I came back. Here, within this quiet world, I intend to gather all my
things usually kept hidden or inactive. They are here to speak.
And since the future is a stand-by secret, I want to live by a precocious
clock, at every running instant of every entering second.
And I will not slow down until my "future exists now" - kind of reverse
quoting Jacob Bronowski.
Ana Vassalo in my site "CAFEÍNA"(former "No Flying Allowed")
Nov 11, 2010 - 11:54
Duarte Pacheco Pereira, "ESMERALDO DE SITU ORBIS" - 1533
("O Mar dos Lugares da Terra")-Livro de Cosmografia e Marinharia
Cantiga de Outras Viagens
[do meu 'livro' de passeios
abraçados ...]
Tenho barcos de papel Ancorados na saudade Flores secas cor do tempo Coisas velhas de ternura E o teu passo de aventura Largado pela cidade Traz um sonho que é só dele E se acorda pelo vento
Pinto a traço permanente O poema prometido E uma asa para sempre Voa o céu de outra verdade Ao farol que era perdido Chega a luz do sol nascente No meu peito adormecido Bate um mar de liberdade
Anda, traz o livro das miragens Do mundo que ainda não corremos Segue o meu abraço na viagem Pela margem que não conhecemos
Está no livro dos amores que arrepiam a paisagem Abre a janela maior do coração que atendemos
Digo o outono das searas em palavras de esquecer Dou uma volta pela noite da canção interrompida Fecho a porta que me lembra tanta carta por escrever Abro na palma da mão a centelha de outra vida
E amanhã sento-me aqui nos degraus de te aprender...
Ana Vassalo 31-08-2010 - 16:59
Origem das Imagens: "Biblioteca Nacional - As viagens dos Portugueses - Esmeraldo de Situ Orbis".
Cada vez mais me custa pronunciar a palavra "hoje": começo a
mastigá-la e a degluti-la diariamente, sem sabores de surpresa.
Perdeu força de variante. Supõe-se, por natureza, como
autónoma de ontem, véspera aliciante do insondável amanhâ,
que insistimos em prenunciar como isso mesmo, a visita de um
bocado aproximado do futuro.
Mas hoje, este meu interminável hoje de quase três anos, tem
apenas mais tempo andado, carrega a continuidade estática
desse "hoje" que já foi ontem, e que o fora ainda antes.
E no entanto, não há como combater a imobilidade que não nos pertence, que existe ao nosso lado e determina o nosso ritmo, mas não é ou foi alguma vez nossa, porque também nossa não é a escolha. Decidimos sim, tratamos as premissas como opções mas optar nunca foi uma possibilidade efectiva.
Entre o amor pelo outro - que nos conduz à decisão em prol de
alguém, a ignorar a pequenez dos egoísmos de estimação e a
tentarmos apenas sentir, na pele do outro que já não domina o
presente das horas, que num lapso ínfimo do tempo perdeu para a doença o verbo "escolher" em batalha desigual e previa- mente decidida, que nos torna, enfim, conscientes de que existe um conceito de "livre-arbítrio" para exercer interiormente no melhor de nós mesmos - e o amor que nos sentimos, optar por nós assume o contorno da aridez, de alma posta em deserto.
Mas esta contabilidade de custos comporta o negativo do
resultado -- o lado não visível -- radiografado e devastador.
Seguimos o coração, sim, mas o peso da circunstância racional,
sem desvios ou possibilidade de recuo (que para sempre nos
roubariam a inocência), torna-se dolorosamente paralisante, muito além de todos os cenários equacionados. Aniquila-nos no tempo, formata-nos o segundo, retirando progressão ao caminho e validação ao imaginário.
A perspectiva de um futuro a acolher - e naturalmente viver -
perdeu-se, a termo incerto. Não há como contornar a realidade que, sendo-o a toda a extensão da sua inesgotável criatividade, nos transcende e se posiciona para além da vontade - essa, que sobranceiramente pensámos um dia como o motor de todas as coisas. Percebemos, na pior das demonstrações, que não é.
E daí, quem sabe, acabe por sê-lo, ainda que num outro plano encoberto. O que, todavia, de importante retenho para mim é que nem sempre a nossa vontade nos conduz à conquista do visivelmente melhor para nós.
De facto, não. Por vezes, o Amor, a gratidão de homenagem que sentimos dever a outrém, por tanto arco-íris da vida perdido a nosso favor, conduz-nos por insuspeitas vias outras, que não poderíamos sequer antecipar.
E o coração? O coração vence, no inventário das razões. Porque
Amar é também ganhar quando todos os indicadores parecem
exibir a derrota de nós próprios. Suceder, por uma causa além de nós. Mas que é também nossa, afinal, e não tão remota- mente quanto se nos assemelharia antes do confronto.
O castro fortificado que é a consciência não guarda apenas a norma. Existe nela um passo de transposição que nos torna ora no melhor que podemos buscar em nós, ou em simples máquina de avançar. E aqui, sem réstea de dúvida, a escolha é nossa.
Escolhi o Amor.
Perdi o tempo renovado. Mas neste estático rumo de mim, no
aparente vazio de amanhãs por cumprir que é presença cada vez mais velha nos meus dias, descubro-me na vontade férrea e inamovível: a minha. Aquela que abre a porta, a deixar passar esse Amor que me gravou a fogo na memória a palavra mais plena de Tempo que o conhecimento me vai desvendando.
A palavra Universal em nós, que não valida o sinónimo.
A raiz, o espaço primeiro, o princípio abraçado.
A circunstância de Sermos. O verbo e a nota, a pausa, o Globo.
O princípio de todos os Mundos, contido, explicado e possibili- tado somente nesse compasso que nos bate no indescritível conforto da alma.
Que é alvorada e poente de nós, nessa unidade que somos no abismo e no salto, na verdade sem complexos.
O canto da palavra que acaricia e que dói, que nos para o tempo no dia de ser já só epitáfio, mas lembra de nós e para nós eternidades de paraíso.
A música, irrepetível, da enorme palavra Mãe.
Ana Vassalo
28-08-2010 - 22:05
Origem das Imagens: site "Bits n Bytes of Life.Wordpress, by Arpit".
"Um plano é uma entidade geométrica formada por infinitas rectas e infinitos pontos. Para traçar um plano, três pontos não alinhados são necessários. O plano tem duas dimensões - é bidimensional."
hoje fez-se a presença do tempo em corpo e espírito aqui
são três instantes de ti na história que me rescreves em compêndio que encerrei para me lembrar de mim
antes de ti fui a romagem do túnel
depois de ti só o paraíso vence
porque o céu perdeu altura num breve ponto do espaço que se despediu de ti
e o meu lugar de sentir tem alvoradas suspensas que me anoitecem de querer porque já não estás aqui
perco o rasto de me achar desacertada de cosmos no tanto que me procuro
mas
no espectro (enfim) visível do meu sol que te repensa nasce um fotão aberto de cores em gestação
e o núcleo renovado na génese que se recria já de mim enforma o ser que tem fome de ser mundo
antes de ti
fui timidez de crepúsculo informidade de areia modo instável de ficar
testemunho da erosão desagrego milenar que desvirtua o lugar
já depois...
há o acordar da semente o ciclo perfeito das águas o livro de marinhar
é que...
nesse tempo acontecido em unidade das almas fui caminho de poetas no restolhar do segredo
a fúria do mar-agosto num contratempo de luas
ou silêncio dos felizes em namoro com a lembrança
conheci o riso largo congelei o passo certo ensinei-me a voz de ser
e encontrei-me com os deuses
numa terra generosa
divisando em cada aceno
um orgulho que se oferece
aceitei-me nos escombros
na paragem
no refúgio
agradei-me no néon
na gargalhada
e no génio
fui alcance e fui incógnita
e fui contente de mim
e um "bocado do mundo"
porque tu me vês assim!...
na palavra que te dei revivo um plano de ti num dia certo de encontros à esquina de te saber:
O Fado?...
O Fado é viver ausências
que nem a Saudade ousou...
...
e no entanto...
onde era um pássaro caído nasce uma asa do tempo - que te voa já esquecido.
Há silencios repetidos na palavra que desfere, que crava o ferro e finca a garra e rouba o chão, e pisa mais um rasto de evasão no destino interrompido que nos espera.
Porque há palavras finais que atacam de súbita doença os murais da nossa alma, um dia branca, agora feia, fervente, na dúvida que nos enleia, de violência acossada, p'la infância subtilmente assassinada.
É o silêncio repetido do que lança da masmorra de dor adiada, mimetada, irreconhecida, dolorosamente crua no inferno experimentado, o verbo feito punhal, que dilacera a carne sua, e se transvia no Outro p'la urgência do descanso.
E é também o silêncio do que ouve e entontece no descrédito, amarfanha e deita fora, como quem mata o que soube, o golpe rasteiro, a chaga como um rito na pele sobrevivente do que já foi unidade, desacerto no presente fraccionado da vontade.
É o espelho de nós reflexo na razão outra que nos mira, quando a sós nos surpreendemos cruéis na batalha que sucede, áridos, no retoque que se perde.
É o silêncio repetido dos abismos ressonante no eco da vastidão, do tanto que fomos idealismo, do que seríamos, em projecção.
Da viagem abortada ao centro do amanhã, do incomensurável talento da renúncia, da morte adiada por inépcia, de todos os fins reunidos p'la manhã.
Há silêncios repetidos na palavra que não pensa. Porque fere, porque dói e arremessa pelo vento, desprevenido no caminhar da rosa, o sopro último da nossa crença interdita - ensaio do alívio, pela dor que é transferida, exorcizando no espelho a morte que é já nossa.
Urgente é o andar para a frente, que nos falha, eventualmente a razão, o salto na conquista da muralha na memória em cicatriz, o tímido aceno de um lugar que foi feliz e o reflexo escreve a História, que reconhece a missão.
Que sobrevive a cruzada, lambe a ferida perpetrada, desfragmenta o efeito e concilia o embuste, arrasta, por nós, um tempo de reajuste na saudade da palavra conjugada no perfeito.
Mas é só repetição, avanço de contra-asa, mecanizada nos mil anos já somados de silêncio, recolhido em nossa casa, num bairro antigo de pilotos magoados.
Neste silêncio de feras acorrentadas no frio, é finalmente gelada a minha alma de ferir, sequestrada nestes olhos, negros de resistir.
Ana Vassalo 25-08-2010 - 00:25
Origem das Imagens: site "autreach.backpackit.com".
Pierre-Auguste Renoir - Young Girls on the River Bank Resposta ao poema "COMO ATRAVESSAR O MEU RIO" de ZITA VASSALO.
Mana, ensinar não posso, que tbem não sei... Sei dessas palavras lindas, que ofereces... Mas posso inventar, como tu, mais um rio, no mesmo mar... E talvez chegue o luar... Sentadas as duas, no chão de dançar! ' Bora lá experimentar?
Resposta eu tenho um rio a correr junto do teu que carrega novas fontes
e um sorriso que se viu céus de fogo e Prometeu largado por horizontes
e no curso traz a rosa cheia, bela e assombrosa dessa cor que ensina o mar a correr no teu olhar!
dou-te a mão agarro a tua recolhemo-nos do frio
navegar é ter mais rio e é ser asa pela lua de voar o coração!... Ana Vassalo 03-08-2010 - 03:29 Posted: Facebook 03-08-2010.
Não sabes, mas eu via-te da minha janela, há tantas, tantas luas atrás, na outra, a janela em frente à minha. Nas festinhas das tuas amigas, do outro lado da rua, já ali no meu olhar.
Nesses dias em q enchias o écran de televisão
e nos entravas em casa, com a tua presença bonita, numa coisa chamada Gente Nova, q nunca mais esquecemos.
E depois, tanta Conversa da Treta
que chorei a rir contigo...
Agora, são outros dias. Venho aqui para te acenar. O Tempo é curto, a Memória tem futuros... Estás cá, sempre, gravado nas horas a chegar.
Janelas, nunca se fecham.
Beijo, António, até logo. Ana
Ana Vassalo 30-07-2010 - 16:01 in Mural de António Feio (Facebook)
Se estivesses aqui, não estarias mais do que agora. Porque desvendarias a possibilidade. Sonhos, são versos adiante na esfera do improvável. (Quero somar para descontar) . O que faço de ti, não sei. Não estás aqui. Mas a interrogação que insinua ponto por ponto o perímetro dos meus passos informa que é bom não estares. Não me interessa descobrir que não subsistes, para lá da minha projecção de ti. E as alamedas largas, gigantes de todo o mistério, continuarão como as sei, plenas de salgueiros e de deuses, talvez até de fontes, porque não?, de nascentes que não descem para já, de florestas impenetráveis de sempre até ser hoje, da (in)transcendência dos milagres. De contradição e absurdo. De pontos de exclamação clamando por admirar. Assim. Então, poderei caminhar mais sonhos. E a circunstância de não estares, enforma a viagem de lonjura – perfeição de inquiridores... Um dia, claro que vou parar. No parágrafo mais amorfo e repetente, paradigma da inevitabilidade que as pontuações de caminhar conhecem, eis a chegada. Morrerei na curva de perguntar. Até lá, tudo é chuva e arco-íris...
Ana Vassalo 27-07-2010 – 23:17
Origem das Imagens: Site Tampabay.com (Unknown Reader)
Poema escrito para dedicar a alguns amigos escolhidos da arte de navegar, amigos pessoais antigos e para as minhas filhas, a real (Natacha) e a de brincar (Marisa), todos inseridos no universo HI5, com um beijo de gratidão, por serem assim, especiais como são. E agora vamos lá, contar “Histórias de Verão, Contos de Inverno”. (1)
Porque todos os dias são retalhos de brincar...
POSEIDON
Deus Supremo dos Mares - Mitologia Grega
POR MARES DE ERA UMA VEZ...
ERA UMA VEZ... UM OUTRO DIA A SER CANÇÃO
NUM CERTO FAZ DE CONTA DE SER OS MARES
MARéS DE OUTRO CéU COM LUARES DE ARRASTÃO
POSEIDON ANCORADO NUM SORRISO DE BRINCAR
O SOL À PRESSA, P’LAS DUNAS ENSONADAS
PINTAVA AZUL O FUNDO DA MADRUGADA
E OS POETAS FEITOS SÁBIOS DE ENCANTAR
REUNIRAM NUMA PRAIA POR ACHAR
E ERA MAIS UM VENTO QUE ACENDIA
COISAS DE SEMPRE E NOVO DIA
PÁTRIAS DE GENTE SUAVE ABRIGO
SOPRANDO NOVAS DE SEU AMIGO
FOI ENTÃO QUE O SOL MAIS BRILHO
DE OUTRAS CORES QUE NÃO HÁ
SE SENTOU NO MEIO DO TRILHO
DO SONHO QUE ERA POR LÁ
NO ESPAÇO DO TEMPO QUIETO
A VOZ DO CANTO EMERGIA
E A PALAVRA ENTÃO NASCIA
DE UMA ALMA A DESCOBERTO
TRAÇAVA ROTAS DE SEDA
NA MÃO QUE OUTRA MÃO APERTA
DA TERNURA QUE SE ACERTA
NUM VÔO PRA LÁ DO MEDO
DESFILARAM TERRAS OUTRAS
DE AMORES GRATOS DE DAR
REIS, DRAGÕES E COISAS LOUCAS
MAIS O QUE É BOM DE INVENTAR
UMA FLAUTA EM HARMONIA
UM CRAVO DE LUZ QUE É GUIA
A GUITARRA QUE NÃO CHORA
A VOZ QUE OUTRAS VOZES MORA
E UMA ASA QUE LEVANTA
A VELA A QUERER MARINHAR
NA PARTIDA QUE SUPLANTA
OS SONHOS DE TUDO OUSAR
E EU POETA NAVEGANTE
POR COISAS DE MAR AMAR
TRAGO NO PEITO UM SEXTANTE
DE ESTRELAS POR VELEJAR
GUARDO UM TEAR FANTASIA
UM ESPELHO DE ALCANCE ETERNO
TEÇO AMORES POR GOVERNO
MIRO AS TERRAS DE UTOPIA
SÃO FLORES QUE ARRANCO AO FRIO
NOS MEUS OLHOS DE AVENTURA
E É POR VÓS QUE TRAGO UM RIO
A CORRER PELA TERNURA...
ERA UMA VEZ O ETERNO AGORA
SENTADO À MESA DO TEMPO
NUM ABRAÇO SEM TER HORA
QUE É MEU E SEGUE NO VENTO ...
E O VOSSO HÁ-DE ENCANTAR
QUANDO ERA UMA VEZ FOR O MAR...
Não sei porque me procuro nas esquinas, no revés de todas as rectas. Ou o que faço aqui, nesta suposta ronda de amigos, onde a matéria é incorpórea e os sentimentos nos chegam por éter. Seguramente terá muito q ver com aquele meu escuso lado aventureiro, uma sede antiga de conceber impossibilidades.
Tenho esta espécie de traço genético em mim, que larga o riso com gosto e navega na gargalhada de outros, que exibe a naturalidade de todas as estrelas alinhadas em céus nocturnos e se mexe com aparente descontracção nos corredores da sociabilidade.
Mentira, tudo isso. Não que a valide, há de facto um lado de mim que é exteriorizante e quer ver-se encontrado com outros exteriores diversos. Mas... seria necessário que todos os interlocutores fossem, também eles, algo de timidez escondida em extroversão, para que as sensibilidades se tornassem ajustáveis e comunicar constituísse, então, a grande festa alternativa para os sequestrados do lar. E eu?... Eu sou toda a palavra que urge por ser dita, mas sou também e talvez mais este silêncio dos que receiam a dor.
Bato à porta, peço licença de entrada neste mundo de intromissão, onde o meu temor de ser excesso em alguém - aquele ponto de saturação de todos os concentrados - acaba por me condicionar o prazer da aquisiçao.
Tenho o cuidado milenar dos penhascos a espreitar o abismo, naqueles exactos momentos em que de mim, incompreensivelmente, se esperam coragens de bodyjumping. Sou o exemplar às avessas do mundo em que se move. E no entanto, lá estou. Antecipando a companhia da surpresa, essa incansável mensageira da novidade, de todos os não expectáveis aqui, dos surpreendíveis de lá.Entretém-me, este inventar-me a cada dia nos caminhos da história que é a minha, mas que igualmente me conduzem por outros, desejadamente profícuos e criativos.Porque eu não sou a realidade unívoca, desmontável em linha, classificável nas constantes da normalização. Eu, sou mais um de tantos mas diversos microuniversos de convicções suadas e de humanas contradições também, porque me movo nos terrenos da questão.
Porque é por aí mesmo que sempre quero caminhar, a descodificar mais troços de novo rumo. Nada é eternamente certo e reconhecível, assim tenho aprendido e nem sempre pelo método mais simples.
E é assim que sou feliz, exactamente por isso! Depois, regressada de cogitações, lá dou por mim em meandros de procuras circulares: serão então as questões que, de tanto as perseguir, lavram em mim a incerteza de permanecer? De ansiar sempre mais pelo passo que vem depois?
Há lugares aonde sinto que pertenço. São poucos, mas estão por aí. Porquê, então, lamentar pelos outros onde não preconizo qualquer ideia de conforto? Se eu visasse somente acomodar-me em qualquer e cada uma das aldeias concordantes, jamais avançaria desse seguro posto de controlo do futuro. Seria uma estaca inamovível no solo eleito das minhas vitórias. Provisórias, é certo, mas que no seu tempo de acção alargam o meu espaço de conhecido e o tornam sempre mais reconhecido.
Largo-me ao acaso, então, abandonando as zonas de conforto tão depressa as conquistei e espero – ou indago – por outras a desbravar na periferia do meu mundo conhecível.
Porque, para avançar na construção paciente da minha felicidade pessoal, eu tenho de arriscar, se pretendo conhecer. E conhecer é dar significância ao que antes nem sabia existir e no entanto completa e refaz a curiosidade de novas partidas, mesmo agora acabada de saciar.
E por tudo isto e o mais que fica por dizer, relativizo qualquer réstea de timidez ou dificuldade de interacção, que impositoriamente vivem comigo, até que o hábito por repetição acumulada suceda na empresa e acabe por me adaptar. Preciso de conhecer mais, nas imediações possíveis do disponível para conhecimento, para poder o sorriso que quero na minha vida.
Ana Vassalo 04-06-2010 – 02:56H
Origem da Imagem: site da Revista "Construir Nordeste".
Triângulo das Bermudas - Atlântico Norte(Mar dos Sargaços)
[Hope is the thing with feathers That perches in the soul, And sings the tune without the words, And never stops at all…
Emily Dickinson (Esperança é aquela coisa com penas Que se pendura na alma E canta a melodia sem as palavras, E jamais se detém...)] Sem Vento, No Mar dos Sargaços
e se a minha, a alma que me adoptou, se descobrisse, afinal, viagem deserta de pássaros?
e não contente de vazios, se quisesse achar também, num desapego de fins esquecida de toda a música?
e se nada, nada mais resistisse na minha casa da memória que um indiferente sinal de trânsito interrompido?
e se todos os solos da vida, a guitarra embriagada nos dedos a que se entrega, se calassem desolados na amnésia do tempo?
e se ao acordar de alvoradas já mais nada em mim soasse que a voz fraca e indigente dos inquilinos da poeira?
e se os meus olhos de ler que não aprenderam poemas fossem somente naufrágios neste mar sargaceado que me fez desaparecer ?
e se todos os futuros que me inventei pelo sonho me acenassem acordados ruindo na noite eterna?
e se dos mundos que anseio e pinto em manhãs de branco escureceram entretanto as tintas que eram da luz?
e se na palma das mãos que cerro, estas minhas, tão vazias, por tanto tempo de vidas estendidas para a surpresa, se esmagasse o dia novo?
tenho essa tal, sem as penas, que julgo ainda ser minha, numa pausa de compassos e tempos em desacerto de canção inacabada
vou... acender um deserto onde me perca no vento a buscar lugares de nunca nesse além que abriga o nada pra cá de coisa nenhuma
sou... esse vulto perfeito que se move pela bruma onde o nome dos sem jeito perfeitamente se arruma
sou a própria: um certo andar navegado sem carta, ou céu adiante
ausente de todo o medo refugiada em degredo numa gruta marinhante...
afagada pela saudade num beijo cheio de mar
que não me canso de ousar... Ana Vassalo 03-06-2010 – 05:28
E então a noite chegava, no desencontro das estrelas, e eu sabia que ali morava uma parede de céu forrada de preto e prata, que sempre me consolara.
Ficava ali, nas minhas horas de esquecer, a ensaiar a fuga real que vivia nos meus sonhos. E os olhos fugiam a rasar a planície escondida de escuro, onde as estrelas ajudavam. Ajustava os binóculos, a desenhar a Lua perfeita, gigante e de branco, como a via na vontade. E em tamanha ambição, seguia pelo contraste para depois a desfocar, tornada em plano irreal, onde me apetecia entrar.
Naquela terra, sonhar era uma possibilidade presente, potencial nosso em formação pelo interior do silêncio.
Amanhecia. Rumar ao mosteiro era um presente matinal que me concedia. Instalava-me no Bar, vazio e imponente, catedral da paz no espírito mais desencontrado. Em fundo, Madredeus soavam, correndo arcadas, vitrais, rosáceas, a lembrar um encontro com os anjos, a pedido, de Segunda a Domingo.
Era feliz, entre a memória dos ritos, a altivez das colunas, e a música, a agarrar o passado num dia fora de tempo.
Vinha de lá, daquelas ruas caiadas de branco e estreiteza, canteiros suspensos e janelas pequenas, onde o bom gosto soletra a simplicidade, pórticos restaurados na pedra picada por artesãos aprendizes, de outros, ancestrais artistas da obrigação onde o talento vencia!
Vinha dali, de um lugar onde o sino repicava as cinco da tarde, do alto do campanário de uma igreja sem idade, entre o cemitério calado e a planície atrevida, registando proximidades. A lembrar como é real a união das almas no universo da ideia, seja na vida ou na morte.
Sei que o meu tempo ali se entendia. E estendia, para lá do relógio ensinado, e ganhava corpo e voava pela terra dos sentidos, elevando pelos céus uma outra vida que a memória genética parece já ter esquecido.
Apercebia, enfim, a imaginação como um poderoso alucinogéneo, capaz de criar horizontes fora de contexto logo que nos propomos lançar o olhar, despojados de pré-noções sobre o que deve ou não estar certo no seu devido lugar.
Não existe um lugar para as coisas da memória. Temos de ser nós arquitectos, de uma cidade de recantos por achar, inventores de mais céu no fim do mar, para que as asas batam luares e a vida seja, por fim, a viagem a cumprir do olhar insatisfeito.
Lá, o poente é uma tela impressionista, em que o azul perdeu a sua importância de céu.
Do alto de qualquer torre, escadaria de jardim, ou miradouro natural desavisado, a cor brinca com o olhar em tons difusos e dispersos, como crianças brincando um sonho que nunca havíamos sonhado, mas gravam no céu poesia que desprevenidamente carregávamos dentro de nós.
Porque o silêncio inspira as almas achadas no desencontro do ruído inexpressivo e é nele, silêncio maior, que a natureza se aplica a revelar o que de nós é essência. Somente no centro do nada que o desconhecido representa pode despontar aquele todo que somos nós antes de nos dispersarmos pelas avenidas do progresso.
Lá, onde o tempo não se mede, acorda um dia de horas plenas, que habitam dentro de nós.
(A Via Láctea - região centro) (Milky Way Galaxy Center)
Do Tempo que é Navegante [Para alguém, com quem nunca me encontrei, mas que há-de cruzar o meu tempo e entendê-lo para mim…]
Se um dia eu fosse um passo certo na jornada, tu serias o caminho na descoberta do meu tempo.
Mas esqueci o trilho, limpei, da memória que sou, essa rota dos enganos. Aqui, neste agora que me acolhe, sou a poeira que resta de um vôo que despenhei, na vertigem de chegar. E nessa pressa de ser, matei os meus dias de vir e estou por aqui, sem morada, ancorada num silêncio demandado, onde me escondo das horas que deixei por navegar.
Tu, és aquele que transporta o vento e a estrela, a vela, que hão-de saber o meu mar…
Ana Vassalo 29-Abril-2010 - 21:16 Origem das Imagens: Wikimedia Commons.
eu queria… conhecer a fé perfeita do lado avesso das flores que esconde do sol temores e em inocência se deita! e queria… numa pátria do amor, que um sabre de luz rompesse e nos olhos já sem cor janelas de brilho ardesse…
acho-me por aí, nos quintais onde os sonhos se adormecem - sementes do dia, vitais, que pela noite se tecem…
e eu colho, e corro o mundo, e volto no mar mais profundo sem ponte nem cais de abrigo! terra à vista, por lá sigo… não me encontro na cidade - é sempre velha a saudade dos campos fartos de gente que o silêncio não consente…
Lisboa de mim, que amei, meu Tejo da ventania, tanto verso em vós chorei sem saber o que doía! não, não creio ser desamor o que de mim vos calou: é que a paixão que queimou morreu num grito de dor que a espera desencantou! e se hoje sou este peito deserto de coração, é que vos sonhei perfeitos no bater da emoção, mas…
sei que mais do que é previsto vence o sangue que é mais quente! por ti, cidade, persisto, és mais estrada que o presente… e o rio, esse meu rio, adiante, sabe de mim o instante em que o tormento já morre, e vem… tão certo de mim, ele corre a levar-me contra o vento… ao largo, onde se agita, mirante, a tal barca que é do tempo…
lá, onde as águas se abraçam, eu sei de cada lugar, fossos e grutas de encanto, sereias, “meninas do mar”! encontro-os em sonhos que passam a lembrar cada recanto deste velho navegar…
eu queria… ser esse conto de fé no livro que escreve a vida a voar tudo o que é!
Existe um Grupo no Hi5 que, como tantos outros, reúne pessoas com algumas afinidades e que gostam de conviver. Mas este, encontrado para lá da distância, une palavras e também corações, dos dois lados do Atlântico.
Partilhamos carinho, dons, tristezas, vitórias, abraços. Alguns já nos conhecemos, outros não, porque a longa distância física dificulta o processo, mas... encontramo-nos pelos caminhos da alma e gostamos de nos saber companheiros na jornada. Que dúvidas não restem sobre isso!
A contento de todos, porque a Liberdade respira-se e a Democracia constroi-se, foi escolhido para esta comunidade de gentis-almas o nome de CORAÇÕES DO ATLÂNTICO. Os seus membros activos ofereceram-me amor no dia do meu aniversário. Quis retribuir como podia e sabia. Escrevi este poema por volta das 4 da madrugada, já as manifestações de carinho dos meus queridos companheiros de tertúlias várias iam largas e bonitas.
Quero agradecer-lhes, um a um, pela espantosa novidade que gravaram na minha vida. É que há quase 1 ano que perdi o norte à palavra SOLIDÃO. O meu dicionário privado não a recorda. Por isso, pelas noites caiadas de versos, pelo ombro emprestado, pelas manhãs de sossego e alegria, pela música mensageira dos afectos, por esse Mar dos Abraços que tudo nos aproxima, eu estou-vos grata.
Alice Pedro, Anna Clara, Carlos Costa, Cristina Bastos, Mari Baltazar, Marisa Guia, Milton Lourenço, San Padovani, Susana Azevedo, Teresa Nicolau e Vítor Pereira - veteranos, temporariamente ausentes, recém-chegados, recém-regressados, amigos pessoais, Brasileiros, Portugueses, mas todos reunidos, hoje e aqui, que o presente é agora e as horas não sobram.
Beijos mil, queridos Amigos!!!
ÁGUAS DE AMIGO
Eu sei… de um certo rio… Do amor o tempo, O espaço imenso, A mão fechada na mão que abriga, Do riso aberto - janela do encontro… A palavra desenhada no futuro que se crê E a distância sem tamanho… porque saiu da lonjura!
Eu sei… Tantas, mas tantas Histórias do sol e de branco, aqui… Cantares do mundo inquieto em sossegos emprestados, Da folha breve de outono que afinal estiou em flor, Horizontes já perdidos que a ternura nos fez perto E o meu mar largo de instantes em praias outras achado…
E sei muitas coisas de saber! Da palavra que se entrega pelas noites apagadas tornando mais branca a luz no olhar da alvorada… Sei do ombro que ameniza o frio cárcere de outro peito, sussurro amigo da vida que o medo nos afugenta. Sei sim, sei o que sei! …
E muito mais que essa tela desenhada nos meus dias, Neves e fragas que venço nos versos que me defendem, Mais esse mar acordado onde me escondo de sonhos E a canção que interrompi mas ‘inda grito, baixinho, SEI!!!, Que amigo é muito mais estrada pelas rotas da conquista, Regresso ao centro da vida onde já foi só final E a aventura de um sorriso no trilho que era do pó!
Amigo é prólogo… e arranque, É caminho! É asa voada no chão da subida e é o olhar encantado na luz que outrora cegámos!
É um castro, a fortaleza! E é construção em processo num estado-maior general onde nascem os começos!!!
Amigo?
Amigo é … o rosto nosso em imagem… nas águas de um rio Melhor!