HELLO DARKNESS

HELLO DARKNESS

JUST A LITTLE REMINDER...

JUST A LITTLE REMINDER...

REMARKABLE PEOPLE



FERNANDO PESSOA

(Lisboa, 1888 - 1935, Lisboa)


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


************
"I am nothing.
I will never be anything.
I cannot want to be anything.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."

or...

"I am not nothing.
I will never be nothing.
I cannot want to be nothing.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."


(Álvaro de Campos in "Tabacaria")




LISBOA - Chiado

LISBOA - Chiado
"Fernando Pessoa" by Lagoa Henriques. The place: "Café A Brasileira" (Brazilian Café) - 1905.

PLAYLIST TODAY




MUSIC IS THE PASSION REPORT



♥ ♥ ♥


PLAYING SOFTLY WHILE SOMEONE SANG THE BLUES



Saturday, Jul 22, 2017 - 17:57





SALVADOR SOBRAL - NEM EU [DORIVAL CAYMMI]



YouTube – "Salvador Sobral - Tópico"





ANTONY HEGARTY + LEONARD COHEN - IF IT BE YOUR WILL [COHEN]



YouTube – "Oggmonster"





CHAN MARSHALL (CAT POWER) - I'VE BEEN LOVING YOU TOO LONG [OTIS REDDING]



YouTube – "anaruido"





JANIS JOPLIN - ME & BOBBY MCGEE [CHRIS CHRISTOPHERSON]



YouTube – "ThE DuCk"





JEFF BUCKLEY - LILAC WINE [JAMES SHELTON]



YouTube – " roberta panzeri"





DAVID BOWIE - WILD IS THE WIND [JOHNNY MATHIS]



YouTube – "Peter Music HD"







_____________________


LEANING INTO THE AFTERNOONS by PABLO NERUDA

«Inclinado en las Tardes»



YouTube - "FourSeasons Productions"






CHANGING BATTERIES - OSCAR WINNING ANIMATED SHORT FILM



YouTube - "Bzzz Day"





DIALA BRISLY - A BEAUTIFUL YOUNG LADY

(a huge thanks to my daughter who e-mailed this video to me)



BBC Newsnight

«Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman - artist Diala Brisly - who is trying to make life that little bit more bearable for Syria's kids.»

Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman -...

Publicado por BBC Newsnight em Domingo, 20 de Março de 2016






A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT

A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT



FLYING A SECRET



I got here to hide. From equations and patterns. From repetition, after all.
Closed the door and got me a special place where I thought I could
somehow sit close to the stars. But I soon found out that the sky was
still opaque, no matter what the steps. And so I left. Again.

I thought, then, I could build me a different ceiling, a new-coloured scrap
of highness. And then make it work. Where I could dream, more than I sleep.
I have long decided that sleeping is overrated - that I know for sure. So I
take that time instead to travel the night alone and in the meantime I allow
myself to fly, unlike stated before... Yes, I like playing with paradox, to
expose the inside of words and the revelation of writing down the voice of a
silence. My adventurous, ever-walking silence.

So I came back. Here, within this quiet world, I intend to gather all my
things usually kept hidden or inactive. They are here to speak.

And since the future is a stand-by secret, I want to live by a precocious
clock, at every running instant of every entering second.

And I will not slow down until my "future exists now" - kind of reverse
quoting Jacob Bronowski.


Ana Vassalo
in my site "CAFEÍNA"(former "No Flying Allowed")
Nov 11, 2010 - 11:54



THE WALK OF TIME

THE WALK OF TIME

domingo, 26 de novembro de 2017

HOJE, MARGARIDAS.





































Nov 24, 2017

 
Foi amanhã, eu sei, mas não, amanhã não vai dar -- escrever, falar, pensar... São assim, silenciadores, os amanhãs de certos passados. 

É hoje que te quero falar, o dia de há um ano, aquele último que nos encontrou, mãos juntas na rota de um último traço de esperança. Respirar era ainda possível, para ti e para mim, mesmo que o ar de todas as tuas planícies libertadoras se tivesse tornado agora tão insuportavelmente pesado. 

Estávamos lá, as três, inseparáveis como nunca, com
o sempre, para sempre. Quiseste sair, depois, e pela primeira vez em nove anos eu senti que era certo, que estava bem para ti e, logo, também para mim. Descansa, foi o que te pedi, pela primeiríssima vez, e tu ouviste. 

Voaste a despedida, de mansinho, a noite quieta para te acolher, como tu, sem desvios, até ao fim. Sempre, és sempre tu, nas horas de amanhãs que estão por vir, aqui, sentada comigo, sorriso de estrelas aberto à vida, olhos de rio doce, atarefado num abraço gigante de ternura ao mundo.

Saudade de todas as tuas janelas, de horizontes sem fim, de ar fresco e romãs, de restolho também, janelas resistentes de diamante. 

Espero por ti todos os dias, sabes? E sei que vens, e sei que estás. Comigo, aqui, num tempo sem pressa de ser.


 
E tudo está certo, enfim, nos seus devidos lugares.
 
Até logo, mãezinha.



 
RESTOLHO - MAFALDA VEIGA

https://www.youtube.com/watch?v=y6raRduUhaw

 


 

 
Ana Vassalo
Fri, Nov 24, 2017
 
 
 

"QUANDO A NOITE VIER, QUE VENHA"




























Pela terceira vez, no ano, sou aniversariante como vovó.  E feliz e tonta e babadíssima com três pestinhas maravilhosos que me trazem os dias mais claros. Os meus gigantes do Sol.

Beijinho, João e Maria, um outro especial ao Pedro no seu dia.

Há mundos bons dentro do mundo. Mesmo sem procurar.




Ana Vassalo
Sat, Nov 18, 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

THE BOOK OF LETTERS - "NO TEU POEMA" - II



 
We always knew it: there's only a few who can actually sing this song with the intense emotion and soul such words require - the way it was written and meant to be expressed, after all. We always knew it.
 
A poem where absolutely everything, said or left unsaid, exists and is alive. So, here's to us.

At last.
 
[ * In your poem
Exists the burning hope behind the wall
Exists everything else that I'm still missing
 And a blank verse lying in wait for the future * ]
 
 
DIANA LUCAS - NO TEU POEMA (THE VOICE)
 

 
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o Mundo

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe a noite
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
O cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco, ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

* No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
 E um verso em branco à espera do futuro *
 
__ a poem by José Luís Tinoco
 
 
Ana Vassalo
Sep 19, 2017
 


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A tecnologia "touch" _







    Pronto, eu confesso tudo, desliguem lá a lanterna: de telemóvel “touch” na mão fico a parecer-me estrondosamente com qualquer uma das minhas maravilhosas e expeditas tetravós cromagnon, mas em pior. O que este aparelhinho fofinho me desafia a paciência, com a sua escrita bué d’inteligente e as suas orgulhosas teclas virtuais para dedos de bebé pigmeu (teclado!, diz que sim...), não dá, sequer, para começar a descrever.

    Ora, uma pessoa só quer telefonar, caramba!, ou vá, assim de quando em vez, de aniversário a natal, mandar uma cartinha bem pequenina a um amigo e só mesmo de emergência, ah e tal, beijinhos, parabéns, feliz consoada, paz na terra e a família como vai? Mentira. Desculpe?, pois... não! Quer dizer, “não” é apenas um singelo modo de ver a coisa, a verdade é que os episódios paranormais se sucedem e acontecem coisas absolutamente fantásticas que ninguém pediu ou sonhou fazer, e é como se aquele dispositivinho-coiso decretasse Independência ou Morte e entrasse em autogestão! Por algum motivo eu o tinha para ali guardado, a fingir que não nos víamos, nunca, pois era, mas vá que o outro, simpático, agradável, bonitinho e, sobretudo, antigo como eu - toda uma linguagem comum e familiar que mantínhamos há um bom par de anos, adivinhando palavras um do outro, já a pensar em juntar baterias e partir numa aventura de investigação comunicacional a dois – puf!, deu-se-lhe um ar súbito, perdão, varreu-se-lhe, e foi-se sem uma palavrinha, ingrato e mais nada.
     
    Ora isto está mal e é só o que tenho a declarar. Não se pode confiar em ninguém, está memorizado. Nada que não me tivessem soprado vezes sem conta, de resto.

    Contabilizando, enfim, menos mal, que a coisa vai-se compondo: hoje já consegui mandar 2 sms’s de importante e incontornável conteúdo :

    1º- “ Ol ”
    2º – “ Ok, lind ”

    Esclarecedores, como se constata, ou não fossem meus, sendo que o último me levou a módica quantia de 20 minutos a elaborar (sou uma repentista!) com posterior anúncio da utilização de 3 páginas, ok? Três-páginas-três, lá vou eu à procura do testamento, um súbito rubor incomodativo – estará alguém a ver? - mas eis que só constava o que se nos apraz verificar.

    Segue-se, portanto, que com esta minha ancestral subtileza de tractor sobejamente conhecida do mundo, palpita-me que vou ter de me munir de 3 ou 4 ‘blisters’ de xanax, agarrados por uma molinha ao telemóvel - já que uma utilização vai implicar a outra – antes que se me comece a soltar por aí um vernáculo também ele todo feito de Independência e Razão, até porque o facto de ser só eu a escutá-lo não releva em nada para o estado calamitoso da minha saúde mental nestes últimos dias.

    E sinais de fumo, não? Morse! Tambores?  :(


    Raisparta a modernice disfuncional.


    Vou-me embora.










Ana Vassalo
in facebook
Aug 4, 2017

sábado, 22 de julho de 2017

À PARTE ISSO, TENHO EM MIM TODOS OS SONHOS DO MUNDO *





A man must dream a long time  
in order to act with grandeur,   
and dreaming is nursed in darkness. 
- Jean Genet    
 
 
 
 
 
 
 
 
[ * Title: Álvaro de Campos in Tabacaria ]
 
 
Ana Vassalo
Jul 2, 2015




sábado, 17 de junho de 2017

THE BOOK OF LETTERS - 'WILD IS THE WIND' - JAY


 




We can never go home
We no longer have one
Our blood is cold
And we're alone
But I'm alone with you
Help me carry the fire
It will light our way forever


So long, pal...

Soube há dias, apenas. Mas não vamos falar de sorte, iríamos discordar.
 
Fica aqui, para ti, sei que ias gostar.
 
Os Dead Combo estão em ambas mas eu escolhi assim, dividir para somar.
 
Para o bem e para o mal, sabes que sou assim.
 
Mas saudade mata. Devagarinho, devastadora. Corroendo.
 
Agarro-me à marca que deixaste no mundo, ancoro num lugar de paz.
 
Um cais na madrugada. Lisboa ao fundo.
 
Não é mau, para entretantos.
 
Will you watch over me? I know you will.
 And don't forget the music.
 
Até já, meu querido.

  


ouvi o texto muito ao longe
 
era o teu corpo na demanda
não me parecia escrito hoje
mas hoje quis tarefa branda
a de curar a ferida ao sol
no claro-escuro da varanda
e só depois
para já depois ao certo
me fiz ao corpo teu por perto
ouvindo o texto muito ao longe
 escrevinhando o sol bate hoje
cartas de amor como o sol manda
vermelha caixa aço pintado
destinatário demasiado
na virtual ida ao deserto
escrevi ao corpo teu por perto
na quente pele como o sol manda
real regresso do deserto
a tua pele muito ao de longe
era o meu texto na demanda
não me parecia escrito hoje
mas hoje quis tarefa branda
a de curar a ferida ao sol
no claro-escuro da varanda
 ouvi o texto muito ao longe
não me parecia escrito hoje
 
não me parecia escrito hoje.
 

SÉRGIO GODINHO, 'Ouvi o texto muito ao longe'

 

 

DEAD COMBO - ESSE 'OLHAR' QUE ERA SÓ TEU
 
 
 
in YouTube - "DoTempoDosSonhos"


 

Ana Vassalo
Jun 17, 2017

(Related to March, 2017)
 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

MÃE






 


2016, aniversário de black friday, desaparece para o mundo Fidel. Data importante, então, que, em circunstâncias outras, me guardaria para debate. Pelas melhores ou piores razões, discute-se por aí, afinal, e eu... Eu quero lá saber.

Importa, sim, que foi também esse o dia que escolheste para despedida. Após cinco dias de indizível sofrimento - carregados de uma tal ironia que parecia menorizar estes últimos nove anos que te sequestraram em doença e total imobilidade, assim como se fosse pouco, insuficiente para declaração - tomaste o assunto em mãos, fechaste o ciclo e decidiste, por fim, descansar. Escassas horas depois do nosso desalentado boa noite.
 
Saíste, discretamente. Escoltada pela noite, madrugada cedo, de mansinho, como sempre, tu.
 
Tu, que eras tão importante, minha Mãe grande, tão mais que a desagregada maioria, na tua bondade sem tréguas. É fácil tomar o mundo do amor quando se alberga um coração de passarinho, como o teu: todos são bons, existirá sempre, seja onde e como for, uma razão outra na origem de cada má escolha, atitude, erro, que temos de saber buscar e a obrigação de entender.
 
Só por isto, mas muito, tanto mais, essa imperdoável sexta feira deste ano de todos os castigos seria o dia da perda maior para todos os que te amavam, e mesmo para os que mal te conheciam mas a quem, de alguma maneira por inventar, que sempre acabavas por resolver, descobrias como chegar e aconchegar.
 
E foi essa a tua força de vida maior, que soubeste tornar verdadeiramente humana: a todos saber chegar. Ainda que o teu próprio mundo teimasse em ruir, repetida, recorrentemente, atingindo-te como um raio. Vezes sem conta, sem fim, até ao fim.
 
Estou agora ainda mais só, apesar do tanto amor, o imenso carinho que me tem rodeado estes dias, por quem sempre esteve a meu lado, tu sabes, e até por inesperadas mas fortes presenças que muito me têm surpreendido as convicções. Só, por dentro de mim. Tenho tantas saudades tuas, minha querida, mas não sei como dizer-to.
 
Que o tempo eterno te seja amigo, como mereces.
 
Até já, Mãezinha.
 
 

Novembro 25, 2016

____________

 
For these last 9 years I 've been writing to my mother, though posting only a few poems. This one, in english 'cause i wanted everyone to know her, was written exactly one week before she passed away, when her health condition was still under control.
 
 
‘… Cry, cry!
You Poets of my country
Trunks of the one single root
Of life that brought us together
And should'nt you be by my side
Then there would be no fado
Nor fadistas such as I’
 
- “Madness” refrain, written by Júlio de Sousa
 
 
 
This is fado. I was raised by its side. My mother was a stunning fado singer who never pursued a career. She was very popular in her youth and known way far from her home land, a tiny village in Alentejo.
 
Many years later, here in Lisbon, someone I had just met, a taxi driver who used to be friends with her during their youth, once told me: “we used to walk from the railway station up to the village, and when she was performing outdoors, at the main square, her voice echoed so clean, so magic and beautiful through those hills, it was such a special, overwhelming emotion, that we felt like God was talking to us”. His words.
 
But she never took a cent from those shows: though she was poor, she always donated her earnings to institutions specially the fire department, and i only knew about this when i moved to work in Alentejo, at age 44, and people who still talk about her let me know this and many other sweet stories about her. She was a rare beauty, they said, woman and soul.
 
At 17 (1951) she was offered a 2 year contract to sing in Belgium but her parents wouldn’t allow her to move abroad. She was forever devastated. But she was strong as hell. Period.

One day, I was 18, she was 40, we were attending a party at Mila’s - my cousin that I love like a sister - and as she always used to she asked my mother to sing. A young couple sitting near me immediately reacted and started complaining: oh no, not fado, not now!, the guy said, but beautiful Mila, wearing her most enchanting smile, politely asked him to shut the hell up.
 
So, my mom started to sing, acapella, and everyone in that garden suddenly became the witness of the purest silence a crowd can hold – the essential condition to listen to fado. She sounded much like young Amália but she was unique. At a certain point, I looked around and it had happened again: tears were rolling down everyone’s faces - no news, it was the usual reaction - but then I remembered to look at him, the complaining guy, and i noticed he was looking down, firmly facing the ground like he was staring at the grass... cause he was crying too. And this I will never forget.
 
When I was 8, my parents split up. It was mother’s decision, for so many, repeated, obvious reasons. And then she locked herself up in her room for a week, drinking milk only and having a sony tape recorder for her only company. Only I was allowed to enter that room. And for a week she sang to that tape recorder: it was her scream, her struggle to survive. And not before this she was able to let the tears out.
 
This is fado, when watched alive. Beautifully sung, like Amália did or, in this case, in Ana Moura’s rendition, you’ll have no words to describe it. But you have to be right there, with the singer. They carry us to another place from another reality within each one of us. And yet, only a few can do it, cause a great voice is mandatory and yet not enough to sing fado. And in my opinion, there’s only a few fadistas who carry the gift. They do not just sing it, they breathe, live and rise in it.
 
Mother was one of them. She can’t even speak today, her vocal cords are paralysed and she was subject to surgery 2 years ago. Strangely enough, she cannot stand listening to fado anymore. When she hears it on tv, her face shows she’s crying (she can’t cry anymore either) and she keeps moving her head left and right, stating a “no”.

This is “fado”, which also means “fate”. And this is he-art.
 
That’s where my mother’s incredible strength has always lived, right inside her beautiful, pure heart.



Nov 18, 2016

 
 
ANA MOURA – LOUCURA (MADNESS)
 
 

YouTube: “Rita6ouveia”
 
 
 
 
 
Ana Vassalo
Dec 2, 2016
 
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016




Em três dias vira-se o mundo ao contrário. Para nos situar.
Depois, resta esperar. para saber.
Escolho acreditar em milagres, dadas as opções. Para esquecer que não sei nada de coisa nenhuma.
Parece que estamos irreversivelmente ligados ao presente, dizem-me, e tenho de aceitar essas incontornáveis inevitabilidades. Mas só já consigo viver no futuro.
E mais uma vez sei: o que mais custa do mundo é o futuro. Vive de ruas escondidas.

Bom, mesmo, seria conseguir falar sobre estas coisas... Com gente, e não bytes. Mas isso nunca foi para mim. E é, realmente, muito pouco o que logramos mudar pelo caminho. 

De resto, não tenho muito a dizer. Apenas que Ela merecia bem melhor. 

É o que, imersa nesta quase prostração, me cabe declarar.
Mas é o que temos. E há quem, com convicção, goste de o reconhecer como Vida. Ainda bem.
É por isso que ainda espero que ela dê pelo nome que escolheu e se lembre do da minha Mãe.



Nov 23, 2016


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

'A THOUSAND KISSES DEEP'








                                                                     “ ‘Well Marianne it's come to this time when we are really so old
                                                                        and our bodies are falling apart and I think I will follow you
                                                                        very soon. Know that I am so close behind you that if you stretch
                                                                        out your hand, I think you can reach mine, ”
                                                                     “ 'And you know that I've always loved you for your beauty and
                                                                        your wisdom, but I don't need to say anything more about that
                                                                        because you know all about that. But now, I just want to wish
                                                                        you a very good journey. Goodbye old friend. Endless love, see
                                                                        you down the road.'”

                                                                                                                               in RollingStone, Aug 7, 2016



Teria eu qualquer coisa como uns dezoito anos, quando li algures uma curiosidade cultural que me revolucionou e mergulhou em caos prévias teorias e convicções.

Foram alguns, os livros com este efeito sobre mim, uns mais pragmáticos, outros subjectivos. Sucede que neste, em particular, a autora, uma americana de muitas e polémicas vivências, contava, pela voz do seu protagonista posto em modo de confidência com um amigo, que os Índios, quando sentem completa a viagem, simplesmente decidem que é chegado o seu momento. E então, deitam-se no chão, viram-se para a parede e serenamente aguardam o desfecho natural que a sua vontade decretou. [Morrer é chegar, certo? Resta saber onde, quando estamos tão longe em tempo espiritual e espaço intelectual dos monges medievais que o poderiam explicar, embora possamos adivinhar-lhes a intenção e ainda que cepticamente.] E acontece, alegadamente. Eles, os Índios, lá ‘chegam’.

Verdade ou patranha, certo é que registei aquele estranhíssimo, incrédulo momento de informação, que se me agarrou para a vida. Porque, contra todas as probabilidades de tudo o que me conhecia e em que me revia, a simples ideia da coisa sitiou-me.

Por isso, quando há pouco mais de dois meses li a tua carta de despedida - e nota que a reli várias vezes - soube que não tardarias. Quem escreve uma tal carta a uma mulher, amor presente ou passado, quer mesmo segui-la. E por senti-lo tão fortemente, não fui capaz de publicá-la, como me tinha inicialmente proposto, assim como quem quer, a qualquer preço, negar uma inevitabilidade.

Cá estamos hoje, notícias na mão, e mais uns quantos sonhos rasgados em realidade. O tempo não pára, por mais que, sabiamente, devesse abrir excepções. Está-se nas tintas. Ou vê melhor...

E no entanto, sabes?, resguardo-me nesta consolação de que já em vida eras eterno. Há pessoas assim, para júbilo de uns poucos, congenitamente perdidos num mundo decrépito, pejado de almas tão comuns, abrigadas num despovoamento que destrói.

Nessa escada que vamos escalando sem nenhum fim à vista, existe um degrau em que, subitamente, nos cremos capazes de lhe pôr fim. De a controlar para vencer. E se a vontade é forte e genuína, acreditamos conseguir. Para que a amarga e estridente voz que ciclicamente se hospeda na mente se cale em sossego, por fim.

Marianne estará, certamente, esperando por ti, com uma cadeirinha vaga, a seu lado, para te acolher em ternura e descanso num lugar esculpido de sol a fogo, harpas de mar e coração. Não estão sós, de resto: uma sobrevivente Utopia de loucos poetas da vida se vai erguendo numa ilha de imortais. No teu disfarce de rio, é lá, desde sempre, que tens lugar cativo.

Até ao fim do amor, então.

So long, dear Poet.

 
 
IF IT BE YOUR WILL - LIVE DUET W/ ANJANI THOMAS - WARSAW, 1985
 
«There is, on both sides of this struggle, men of good will. That is important to remember.»

 YouTube: "messalina 79"
 
 
 
A THOUSAND KISSES DEEP
 
«no matter if the road is long / no matter if it's deep /
no matter if the moon is gone / and the darkness is complete»
 
YouTube: "natales"
 
 

Ana Vassalo
Nov 11, 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

NOBEL 2016 __ THE TIMES THEY ARE A-CHANGIN' !









































 
MR. BOB DYLAN, of course! 
 
Born Robert Allen Zimmerman, May 24, 1941, American singer-songwriter, artist and writer, Bob Dylan is the  winner of the 2016 Nobel Prize in Literature!

 

[ E eis que logo surgem as vozes e os ais, num desassossego de almas atormentadas, em transe auto-induzido. Ou, clarificando, daquele certo tipo, bem conhecido, de críticos com cotovelos problemáticos. ]



Ah... que século pequenino, este XXI, se vive nesta aldeia global...
 
Pois se nem alguns desses exemplares que se assumem poetas, autores e agregados títulos comparados por via exclusiva de trocas comerciais, do alto da sua cátedra intelectual de Cafetaria, conseguem discernir que, não só para os USA mas para  o mundo que se debateu sonhando a liberdade, a obra de Bob Dylan foi muito além, gigantescamente mais do que apenas folk, blues ou rock&roll (e já seria tanto!), então são esses os mesmos, seguidos  por turba privada obediente e incondicional, que jamais reconhecerão a mudança não só necessária mas inevitável aos tempos de cada tempo.
 
Porque para que eles mudem é preciso saber chegar ao mundo que os habita, às multidões que nele se conformam em desânimo. E chegar muito e depressa, por qualquer meio que eficazmente o propicie: pela música, então, que assume, reconhecidamente, o mais elevado nível dessa eficácia. E, sabiamente à boleia da mesma, pela palavra que urge ser ouvida, a despertar consciências, a exaltar vontades dormentes.
 
Foi essa a casta de palavras que os extraordinários poemas cantados de Bob Dylan,  belíssimos, inteligentes, emissários de uma nova linguagem de raiz urbana,  interventivos e subversores da corrupta ordem estabelecida, fizeram desfilar com eco, durante décadas, na sua música.
 
Não perceber isto, não entender a sua importância global no chamamento para a primeira linha dos acontecimentos mundiais das várias gerações em luta pelo direito à liberdade individual e colectiva, através da acção aglutinadora e sincreticamente conciliadora de toda a diferença que a música tão bem sabe esbater e aproximar, é personificar, sem vestígio de sombra, uma atitude hirta, de incontornável apego a grilhetas elitistas,  a visão curta e redutora de gente, enfim, que há muito está morta, não percebeu e não foi informada, paz à sua alma. Tudo o que a poesia, afinal, não comporta e não tolera.
 
Porque, custe, embora, o muito que custar, Bob Dylan não é um letrista mas um Poeta.
 
Observando, menos,  ou ignorando, mais,  cabe-nos a escolha de audiência a prestar a tamanhos, ilustres dignitários da cultura papelónica,  enredados em arrepelo e empurrão por estéreis polémicas desta vida  a que já todos nos habituámos, de resto, se nos lembrarmos do exemplo de Ary dos Santos, que essa mesma (suposta) "elite"  em avançado estágio de esclerosamento teima em menorizar.
 
Sendo que,  de poetas espartilhados, intelectuais de fancaria, cátedra bafienta de antiga e mediocridade branqueada, bem como outros similares exemplos do fake "erudito", informa o próprio tempo estar para lá de cansado.
 
THE . TIMES . THEY . ARE . A-CHANGIN'. Full stop.
 
Conformem-se. 'Perguntem ao vento'. Ou matem-se, se vos der mais jeito. Alternativamente, podem sempre partir em demanda de Mr. Tambourine Man, que, quem sabe, talvez vos arranje qualquer coisita eficaz para matar desgostos. Perceberiam, claro, se não fossem tão dramaticamente canhestros.
 
Por aqui, mora alguém, que por acaso sou eu, sim, bem feliz por esta escolha para o NOBEL da Literatura 2016.
 
Cheers, BOB! These are your times!
And always will be.



BLOWIN' IN THE WIND
[ 1962 ]
 
How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes 'n' how many years can a mountain exist
Before it is washed to the sea?
Yes 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes 'n' how many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn't see?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes 'n' how many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes 'n' how many deaths will it take 'til he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.
 
 
 ___________
 
 
 
I SHALL BE RELEASED
a 1967 song written by Dylan
 
BOB DYLAN singing with 'THE BAND' & FRIENDS in "THE LAST WALTZ", 1976
 
 
 
 

 They say everything can be replaced
They say every distance is not near
So I remember every face
Of every man who put me here

I see my light come shinin'
From the west down to the east
Any day now, any day now
I shall be released

They say every man needs protection
They say that every man must fall
Yet I swear I see my reflection
Somewhere so high above this wall

I see my light come shinin'
From the west down to the east
Any day now, any day now
I shall be released

 Down yonder in this lonely crowd
There's a man who swears he's not to blame
All day long I hear him shouting loud
 Cryin' out that he'd been framed

I see my light come shinin'
From the west down to the east
Any day now, any day now
I shall be released

 
 
Ana Vassalo
Oct 13, 2016
 
 
 


sábado, 8 de outubro de 2016

ON DIT...
























                                                                                                    i was born lost
                                                                                    and take no pleasure
                                         in being found
 
                                - John Steinbeck
 
 
 
 
my mind is my place
when i sit by the silence of the trees
 
 
skies are young
and home is a cottage in the fields of thought


any instant
of every living moment
that is where the heart
      of all things
      beginning or ending
beats passionately faster.

      alive.

 
i live in my mind.



'... and please let me always'



Ana Vassalo
Sep 19, 2016


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

THE BOOK OF LETTERS - Cigarros















in Storming Heaven – Wordpress



           














          


Tinha uma caixa linda, de prata velha, que o avô de alguém, num dia de há muitas eras, me fez herdar. Perdeu significado, ela que chegou carregada de amor. Os tempos desajustados em diferenças inconciliáveis rasgam e ensinam. Depois, roubaram-ma, como que a lembrar a reposição devida dos factos. A verdade em mutação. Para a história, importa apenas que tinha por missão ser guardiã de cigarros. Nunca partilhados.

E tu, ofereces-me uma cigarreira? Uma caixinha solidária e amiga que saiba dividir-se pelas noites? Porque, sabes, haverá sempre um qualquer resto de tabaco em prevenção, a juntar fragmentos que se perderam da unidade.

Eu trago a vodka, faço o café. Tu, chegas com as marés. E um cigarro para mim. Dançamos?

Comentas, algures num intervalo de razões, que é o tempo de partir juntos. As malas ficam para trás. Skating the night sky, dizia eu, há uns quantos anos de suaves crenças, inventando o instante de encontrar-te.

E então, disfarçamo-nos de céu? Eu, de cometa, naturalmente - já tenho a ‘cabeleira’. Tu escolhes, depois dizes-me. Ainda assim, previno-me e levo no bolso um disfarce de lua, para o caso de te perderes na escolha. Havemos de descobri-la, tímida ou fugitiva, noite em jornada. Por nós.

Há vidas que nasceram paz. Sei que sabes. E um cigarro na madrugada há-de sempre resolver os mundos.

Depois, largamos pela cidade que nos pertence, Lisboa como pele, cais de encontros do futuro com a justiça. Vamos pelas estrelas, que se perdem nos teus olhos de tormentas quando se acertam pelos meus.
           Um dia, tocas para mim?

Espero-te às tantas, em Santa Luzia. Tu trazes o rio, não se fala mais nisso.

           Cartas. Não esqueças, sou estas cartas.


Fazemos assim: eu dou-te um cigarro quando a noite te abandonar. E sento-me contigo até que ela se arrependa.
             Não te quero triste, não quero.
A noite escreve-se com o teu nome.


Ana Vassalo
Ago 19, 2016