NETOS

NETOS

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

REMARKABLE PEOPLE



FERNANDO PESSOA

(Lisboa, 1888 - 1935, Lisboa)


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


************
"I am nothing.
I will never be anything.
I cannot want to be anything.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."

or...

"I am not nothing.
I will never be nothing.
I cannot want to be nothing.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."


(Álvaro de Campos in "Tabacaria")




LISBOA - Chiado

LISBOA - Chiado
"Fernando Pessoa" by Lagoa Henriques. The place: "Café A Brasileira" (Brazilian Café) - 1905.

PLAYLIST TODAY




MUSIC IS THE PASSION REPORT



♥ ♥ ♥


PLAYING SOFTLY WHILE SOMEONE SANG THE BLUES



Saturday, Jul 22, 2017 - 17:57





SALVADOR SOBRAL - NEM EU [DORIVAL CAYMMI]



YouTube – "Salvador Sobral"





ANTONY HEGARTY + LEONARD COHEN - IF IT BE YOUR WILL [COHEN]



YouTube – "Oggmonster"





CHAN MARSHALL (CAT POWER) - I'VE BEEN LOVING YOU TOO LONG [OTIS REDDING]



YouTube – "anaruido"





JANIS JOPLIN - ME & BOBBY MCGEE [CHRIS CHRISTOPHERSON]



YouTube – "ThE DuCk"





JEFF BUCKLEY - LILAC WINE [JAMES SHELTON]



YouTube – " roberta panzeri"





DAVID BOWIE - WILD IS THE WIND [JOHNNY MATHIS]



YouTube – "Peter Music HD"







_____________________


LEANING INTO THE AFTERNOONS by PABLO NERUDA

«Inclinado en las Tardes»



YouTube - "FourSeasons Productions"






CHANGING BATTERIES - OSCAR WINNING ANIMATED SHORT FILM



YouTube - "Bzzz Day"





DIALA BRISLY - A BEAUTIFUL YOUNG LADY

(a huge thanks to my daughter who e-mailed this video to me)



BBC Newsnight

«Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman - artist Diala Brisly - who is trying to make life that little bit more bearable for Syria's kids.»

Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman -...

Publicado por BBC Newsnight em Domingo, 20 de Março de 2016






A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT

A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT



FLYING A SECRET



I got here to hide. From equations and patterns. From repetition, after all.
Closed the door and got me a special place where I thought I could
somehow sit close to the stars. But I soon found out that the sky was
still opaque, no matter what the steps. And so I left. Again.

I thought, then, I could build me a different ceiling, a new-coloured scrap
of highness. And then make it work. Where I could dream, more than I sleep.
I have long decided that sleeping is overrated - that I know for sure. So I
take that time instead to travel the night alone and in the meantime I allow
myself to fly, unlike stated before... Yes, I like playing with paradox, to
expose the inside of words and the revelation of writing down the voice of a
silence. My adventurous, ever-walking silence.

So I came back. Here, within this quiet world, I intend to gather all my
things usually kept hidden or inactive. They are here to speak.

And since the future is a stand-by secret, I want to live by a precocious
clock, at every running instant of every entering second.

And I will not slow down until my "future exists now" - kind of reverse
quoting Jacob Bronowski.


Ana Vassalo
in my site "CAFEÍNA"(former "No Flying Allowed")
Nov 11, 2010 - 11:54




THE WALK OF TIME

THE WALK OF TIME

sábado, 30 de abril de 2016

SOFIA MARTINHO








Ana Sofia Martinho...

Pela idade da minha filha, mais coisa menos coisa. Coleguinha de todos os momentos, de trabalho sem tréguas, gargalhada de ferver, copos à noite, aqui ou lá, na outra margem, de diversão, sempre juntos, todos, até ao fim.

Amizade genuína, companheirismo. Divertida, generosa, doce. A melhor das colegas, daquela casta genuína, que nos marca.
 
Ainda há uns 3 anos, em pleno jantar de Natal, quando um dos meninos do software em on-call recebeu uma chamada da Banca, e não sendo já colegas há uns largos anos, imediatamente lamentaste o facto de já não poderes ajudar, como antes, em que todos se faziam presentes mesmo que não solicitados. Para entrarmos, de seguida, num longo momento de memórias e saudade. Eras assim...
 
Menina da matemática, números e lógica, programadora de software para complexos sistemas, craque, dos melhores na tua área, tinhas o mais terno dos olhares nos teus imensos olhos azuis. E um sorriso feito de coração. Eras amiga a valer.
 
Um dia, vindas da margem sul, depois de uma noite de choco frito, copos, discoteca e karaoke a rematar, tu, que estavas praticamente em casa mas fizeste questão de nos vir trazer, a mim e uma outra colega, vivemos mais um daqueles episódios inesperados que o fim da noite gostava de nos apresentar. Se bem te lembras, eu fazia parte do grupo que raramente levava carro para estas andanças, queria, sim, estar sem cuidados de maior  e havia sempre gente boa de serviço para transportar os mal-comportados. Tu? Estavas sempre na primeira linha.
 
Segue-se que, no caminho, tivemos de parar na ponte: estavas mal disposta. Tudo aflito, que é que fazemos, conduzo eu agora, que é que tens?, e tu... voilà, dedos à boca, problema pragmaticamente resolvido. E lá seguimos, como se nada fosse, em retoma de cavaqueira e gargalhada. Ficaste melhor, lá veio a cantoria também. Lembro que, quase a chegar, gritava eu, desalmada, em face da velocidade que te animava, “Sofia, tens de virar, o túnel não, não!, é à esquerda, Sofia, nem sei onde vai dar o túnel, vira!”; e tu, “na boa, não stresses, Ana”, vá de te enfiares túnel adentro, 5 da manhã, aqui vamos nós rumo a sabe-se lá que planeta, tudo sem pio. E afinal, resolveu-se, pois claro, era bem mais simples do que parecera: inversão de marcha, caminho retomado.
 
Como programadora, eras uma das eternas almas quase sempre presentes naquilo a que chamávamos “O Turno da Noite” - Elsinha, Fátima, eu, mais uns quantos workaholics comerciais e programadores, e tu, claro, tantas vezes, quando não estavas nos clientes, pois mesmo que não chamassem ias ficando. Acabávamos por ir ficando, e ficando, tal era o vício de trabalharmos juntos.
 
A companhia era divertida, a loucura instalava-se por volta das 2 da manhã, café na cozinha/bar, pernas esticadas em cima da mesa, conversa da treta para acordar, meia-hora de relax; lá pelas 5 íamos até Alcântara, ao Caldo Verde, onde já nos conheciam, voltávamos; pelas 7 e tal fazíamos uma breve corrida de cadeira de rodízios que encantava a brigada das limpezas, dormíamos depois no sofá da recepção uma boa meia-hora - eu, por exemplo, tinha sempre uma providencial muda de roupa e iniciei aquela moda de tomarmos duche nas instalações do Suporte Técnico - e seguíamos, frescas e airosas, para mais um dia de trabalho. Vantagens e desvantagens dos horários flexíveis, que rentabilizávamos da melhor maneira que conheciamos. A criar momentos para uma vida.
 
Porque é tudo isto que não se esquece, aquilo que não voltei a ter depois, em empresas nacionais, onde não mais encontrei este conceito de equipa de trabalho, bem pelo contrário.
 
Hoje é um dia terrível para nós, Sofia. Para mim, que estou para aqui, incrédula, mergulhada em tristeza e desânimo. Sei que o sabes, a tua alma pura fazia-se de acreditar.
 
Já só nos encontrávamos nos jantares de Natal, todos nós, que as vidas acidentadas por motivos tão diversos mais não permitiam. Mas era sempre igual, como se nos tivéssemos visto ontem. E mais a tua ternura, imutável, para com todos os teus colegas (ex-colegas, é verdade) que vias, tal como eu, como amigos de longa data.
 
Não é fácil encontrar uma equipa assim mas nós fomos tudo e muito mais, uma imbatível equipa de amigos que por acaso até trabalhavam juntos. Anos e anos a fio. Sem concorrência.
 
A mensagem que o Rui nos enviou é de tudo isso testemunha.
 
E sei que também Angola vai sentir a tua perda. Maldita malária, ano maldito.
Nós, nós estamos aqui, Sofia, à espera que regresses, para aquele beijo especial que nos falta.
 
Vou ter tantas saudades tuas, minha querida, dos teus “beijinhos, Ana!” acompanhados da foto, ao lado, com o teu sorriso bom, sempre presente no dia do meu aniversário; dos risos, abraços e loucura no jantar de natal.
 
No último, tiveste azar, lembras-te certamente melhor do que nós: partiram-te os vidros do carro, perto do Café In. E tudo o que tu lembravas e nos escrevias, dias depois, era que “parecíamos a velha equipa de sempre, todos juntos até ao fim, ninguém arredou pé!”. Mas então, Sofia, podia ser de outra maneira? Assim será, onde quer que seja.
 
Foi há pouco que percebi. O céu está hoje tão mais bonito!
 
Até já, minha querida, espera por mim.
 

__________________
 

Tu já não estás, foi o Rui que nos contou, assim. Entendes que continuamos todos juntos, não é? Pois é, Sofia querida, tu sabes. E hoje, mais do que nunca, sei que a Vida é só um instante. Onde os Amigos fazem toda a diferença. Obrigada por tudo.
 
 
« Rui Fernandes:
     
    Meus queridos amigos e amigas,
     
    Venho a vós não pelos motivos mais agradáveis, mas penso que todos gostariam de ter conhecimento do sucedido. A nossa colega e amiga Sofia Martinho, infelizmente faleceu ontem, sexta-feira, em Luanda. Estão a ser tomadas todas as medidas necessárias para a transladação para Portugal e logo que tiver mais noticias dar-vos-ei nota disso.
    Penso que em tempos todos juntos formamos uma equipa imbatível e onde também reinava uma amizade. A Sofia esteve sempre presente e a todos com certeza marcou de alguma forma pelo que acho que devemos prestar-lhe uma ultima e merecida homenagem.
    Abraço Forte para todos. »
     
     
     
     

     
     
    Ana Vassalo
    Apr 30, 2016
    sobre 29-04-2016
     
     

segunda-feira, 11 de abril de 2016

PROBLEMA DE EXPRESSÃO


 
 
Lights. Lisbon by night, 25 April Bridge - photo by Jo-Igele
 
 


Não há palavras, só deserto.  Calei-me, sem explicação. Tudo jaz, de morte assistida,  no secreto descanso das gavetas digitais.
 
Talvez por isso, arrisco, há essa deixa de Julia Roberts, em Pretty Woman, que ciclicamente me ocorre.
 
 
 
" Lights. Lights would be good here. "
 
 
 
Porque lhe acho graça, sim.  Depois, essa circunstância única que me compõe, me toma em estranhos momentos, dá de costas ao inesperado e tende para rir a agressão.
 
Feitas as contas, importa que é questão de ver. Bem visto. Ou de como não ver. Também.
 
 
E por hoje, chega de dissertação óptica.
 
 

Ana Vassalo
Apr 11, 2016

sábado, 19 de março de 2016

PAI








Sempre roubaste coisas dos dias simples para me dar.

Continuas a fazê-lo com o mesmo gosto e inspiração, o mesmo sorriso de vida.

Eram as letras do jornal, para eu juntar, tão pequenina ainda. Os botões, subtraídos das costuras da mãe, para eu contar. Aprender, coisa importante, dizias.

Mais tarde, ainda antes da Guiné, de mão dada pela Liberdade que corre uma avenida, eram os néons dos anúncios. Aquele de A Confidente que, já no Rossio, corria redundante em piscadelas cíclicas, ou o outro, tão misterioso para mim, o homem de capa do Porto Sandeman, lá bem alto, mesmo à esquina de chegar. Tinha de ler tudo, de passeio, com a tua ajuda e os anúncios como livros.
 
 
 


Já em África, eram as letras maiores da bomba de gasolina, das lojas e restaurantes, que eu agora repetia com a familiaridade dos amigos. E os números sempre ao lado, presentes também, com as sucessivas multiplicações por 2, até ao infinito que a minha ignorância permitia – exercício que continuo a usar quando o tédio de certas reuniões ameaça vencer-me.

Foi lá, nessa terra do longe aparentado com os sonhos, que fui à escola pela primeira vez e, sabes, tenho largas dúvidas de que algum menino tenha sido mais feliz do que eu nesse dia. Porque hoje, quando agarro o papel, os lápis, a borracha, é dos cheiros desse dia fantástico que me lembro. E mal sabia eu que tantas, tantas coisas diferentes, divertidas e inesquecíveis, me esperavam naquela escola em pleno mato, nos intervalos das letras e dos números.

Depois, em paralelo, e quase desde as fraldas, o desporto!, para a “higiene mental”. Eras demais! Ginástica diária, 1, 2, esquerdo, direito, acima, abaixo, por entre gargalhadas, os jogos de bola na rua ou, já por cá, eu lá pelos meus doze anos, o badmington no jardim, à noite, a coisa bem a sério e a preceito, com o requinte de uma longa cordinha, que improvisaste, com pregos a marcar os cantos para delimitação de campo, as jogadas a doer, a puxar, com garra e direito a visitas alucinadas ao chão, por entre os aplausos da assistência que, entretanto, se tornara aficcionada. O incentivo, vida afora, o gosto continuado, os saltos na cama elástica, que eu adorava, o andebol, o futebol... e o basket!, com os treinos no Técnico e os jogos no Estádio Universitário, seis anos ininterruptos, defendendo as cores dos dois Liceus, a que a minha, alegadamente excelente, meia-distância somava uns pontinhos valentes.

Uma rotina boa que tem acompanhado as gerações. Aos 3 anos, já a minha menina estava, também ela, a caminho da Ginástica, com o seu saquinho da pantera cor de rosa ao ombro, maillot e sapatilhas lá dentro, tudo a preceito, lembras-te?, que eu escolhera com entusiasmo e carinho na Sempre em Festa! E sabes, pai, os pequenos pestinhas também já trilham o mesmo caminho, sim, esse de letras e saltos.

Correm para a salinha infantil sempre que vamos à Fnac, escolhem os livrinhos, sentam-se e pedem-nos para lhos lermos. E a estante, nos seus quartinhos, está bem recheada: livro é amigo dos bons, uma historinha para dormir, sempre. O João, então mais pequenino, pedia sempre a mesma, a do Capuchinho!, pai, que eu detesto - e nem as explicações eruditas das suas origens medievais me aumentaram o coração - e que na maioria das vezes conseguia substituir com mestria mas, dada a fixação, de vez em quando lá me resolvia a perder e aceitava a tarefa. E enfim, para que saibas, ainda jogo futebol com o João – na rua, sim – e bem! O rapaz é um craque e eu só posso incentivar, não é? Diz que sim. E como é bom de letras e número também, a coisa dá-se, vais ver.

Resta-me confessar-te que há esse momento único que me visita, sempre que penso em infância. Aquele repetido, também em África, em que te ouvia aos gritos lá do fundo da varanda sem fim, «ó Nita, Nita, anda cá depressa ao pai, corre, filha, anda cá!», e eu, já diplomada nas boas notícias, corria mesmo, desalmada ao teu encontro, para receber das tuas mãos ensopadas o gelado, aquele maravilhoso gelado feito de muitas frutas e amor, agora já quase todo derretido após o longo caminho da Defesa até casa, que vencias a correr.

Tempos, muitos tempos na nossa vida, de diferente cadência, de desfechos amigos, ou de rumos imprevisíveis.

Como aquele, pai, que dificilmente percebeste, aquele tempo de mudança súbita e radical nos últimos anos do novo liceu, e que eu nunca expliquei, também. Mas sabes, os meus 14 anos gostavam dos 18 e 19 de alguns dos meus novos colegas, que tinham coisas interessantes a dizer; e de repente, a escola tornou-se insuportável na directa proporção em que me apercebia que essas coisas cativantes não faziam parte do curriculum, mas sim uma cultura a metro - a quilómetro, melhor dizendo – um saber por encomenda, que retira qualquer gosto à aventura do encontro.

Era com apreensão que, nos últimos tempos, me vias passar de ano a rasar. Não percebias, nem eu. Porque, acima de tudo, o número de faltas era constrangedor e ameaçava tudo fazer ruir mas as visitas ao notário para validar os pedidos de relevação de faltas acabavam por resolver tudo e sempre com a tua ajuda. Safavam-me as intermitências, nos seus pontos altos, aqueles 19 e 20, depois dos muitos 5 e 7, que criavam alguma compreensão nos professores, mas estudar, pai, é diferente de ler e eu nunca gostei, nada, nem mesmo quando, por iniciativa própria, voltei à faculdade. Aprender tem de ser livre, a obrigação cria um tédio imenso, que me é difícil descrever.

Será que me percebes, paizinho? Sempre conseguiste, não é? Tiveste sempre essa incrível vontade de tudo tentar entender, ainda que te zangasses às vezes e a sério, mas havia em ti uma imensa capacidade para acolher o novo, o diferente, o que faz com que, ainda hoje, os meus amigos de então te recordem com gosto e pormenor: o pai diferente, compreensivo, um “amigo fixe” para desabafar os males de juventude, essa que se sentia sequestrada numa sociedade castrante de sonhos e liberdades. E tu, tu sempre estiveste lá, para os ouvir, para conversar, sem julgamento.

 

(Pai, mana Zita, alguns dos sobrinhitos)
 
 
Hoje, são as quarta-feiras, às vezes quintas, que dedicas aos nossos almoços semanais, antes jantares, de tertúlia e novidades em dia, de risos e animados debates políticos, daquelas histórias de vida e viagens que surgem sempre a propósito de qualquer coisa, porque são inúmeras e imensas. Se soubesses, meu pai, o bem que me fazem esses momentos, dos escassos que a liberdade ainda me reserva, os mais queridos momentos, porque são de ti para mim, incondicionalmente, que tentas por todos os meios que conheces – e são muitos - fazê-los brilhar.


(Pai e sobrinhito Hugo)
 
 
O teu espírito menino ainda me ensina tudo. Que vale a pena estar vivo quando se faz da vida um instante pleno.

É bom saber que, nos teus 90 anos, acabaste de te inscrever num ginásio lá para os teus lados, uma vez que as duas sessões de ténis por semana já não chegam e há umas dorzitas incómodas que te andam a aborrecer. Como também é bom perceber, de caminho, que podemos queixar-nos a rir. Dos males que insistem em acompanhar-nos em visitas periódicas de “olá, cá estou eu!”, reduzindo-os, sem dó nem hesitação, à sua insignificância própria, que é a dos intrusos.

É bom, paizinho, saber-te sempre presente, acima de qualquer dúvida, nos tantos, imensos erros, nos quantos sucessos, das muitas vidas que tem sido a minha vida.


Há-de ser sempre, eternamente reconfortante, onde quer que tenhas morada.

Obrigada, por me ensinares a alegria.
 
E antes de tudo, pelo mar, pelos navios, por esse mundo sem fim.
 
"Navegar é preciso".


Gosto tanto de ti, Pai.


Ana Vassalo
Mar 19, 2016
 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

ENGRAVINGS






              La bocca della verita - The mouth of truth

 
 
                                                                                                 it seems like yesterday
                                                                                                 but it was long ago
                                                                                                 I was young and strong...
 
god, was i strong and young!
and you
you, so much older
and dry cynical to your bones
messing around with my "childish world"
too busy trying to tear it apart
so you could then break me,
the world confined to your shoes
always struggling to make me your mirror
when my eyes could no longer reflect you
- they had just ceased to see you, you know
 
and yet, still loving you
loving you like crazy
just hoping madness could
somehow
someday
find that closing answer that would win us
 
so i kept falling
and running
forever running against the wind
 
for 18 years i was breakin' all the rules
i stood up against the entire galaxy
just for you
for you,
hiding all my dead contradictions inside
killing them by the day
just running
insanely running against the wind
 
while you,
you could never find that acceptance path
that would lead you to my mind
- unable to read me
for an endless lifetime
 
 
and now they tell me you're dead...
 
 
and the strangest thing happens
i cannot feel a thing...
can your unbeatable rationality explain this?
 
for one thing, it just made me see through paradox.
i spent my best years forgiving you
just to finally realize
i will never, ever be able to forgive you.
and it seems all so simple now:
i just needed to accept
that you are, you have always been unforgivable.
 
and the bliss is i feel quite rested now
ready to ease
and embrace that eternal storm in me
at last
at last
 
well, i came here today
just to let you know
that i'm still running
and running fast,
an old stubborn wild horse
running free
against the wind.
 
the thing is
it feels warming and peaceful now
that gentle touch
of a friendly breeze on my face.
 
so please, be good and rest in peace.
can you do that for me ?
 
 
Ana Vassalo
Jan 22, 2016
 
 
AGAINST THE WIND - BOB SEGER
 
 
YTube : "eeyea"
 
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

FILHA



















 Photo by David Evenson



19 de Outubro

Um dia de maravilhas, hoje como antes, que me traz os ombros carregados de sol.
 
 
 
Caminho da Manhã

… Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. …
Depo
is desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.

__Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto





David Attenborough - What a Wonderful World
(Louis Armstrong)


YouTube: "The Madrid Birder"



Ana Vassalo
on facebook too,
Oct 19, 2015

 

SÃO CARDOS, MEUS SENHORES...






 
Traduzindo: os pacientes têm de estar incapacitados permanentemente para o trabalho, e com previsão clínica de ficarem em situação de dependência, ou de morrerem (!), em três anos. (1), para, de acordo com a nova lei, poderem ter acesso à pensão especial para pacientes de doenças incuráveis...
___________
 
 
 
Terror até ao fim. Ajustes de última hora a roçar a delinquência. E no entanto, tudo isto tem apoiantes.

Por isto e tanto como isto, penso, cada vez mais, que o que fazia toda a falta a estes jovens governantes e apoiantes de direita, que nasceram em democracia e acham que ela brotou de um campo semeado de bandejas, seria, no pleno da sua idade produtiva, de sonhos, projectos, independência, família, a obrigatoriedade de vivenciarem tudo isso sob o chicote de uma ditadura. Mas uma ditadura rigorosamente igual - nem um presídio a mais nem um requinte de tortura a menos - àquela que nos arregimentou durante meio-século, com a cereja de uma comissãozinha no "ultramar" durante dois anos, quando a barba do forçado combatente ainda mal desponta, ali, valente!, a matar para não morrer.

E então, sim, pronunciarem-se e agirem à vontade, como hoje fazem e a Democracia lhes proporciona, ao mesmo tempo que tão descontraída e activamente laboram em manobras para destruir o maior dos privilégios que herdaram, a que nem sonham o preço e se apressam a reduzir a livros de estórias para velhotes: a Liberdade.

Um preço que foi pago em vidas completamente destruídas, famílias inteiras, em miséria, analfabetismo, fome. E, em tantos casos, pago em mortes, que hoje se desvalorizam e apagam pelo esquecimento.

Algo que parece interessar pouco ouvir, bem sei, convencidos que se querem de que os tempos são outros. E são. São sempre, até deixarem de o ser e a pior das repetições se instalar por fim, comodamente recostada em apoios supostamente inequívocos e informados.

Pena que o único senão, cujo peso não convida, é que não seriam esses, que o merecem porque o procuram, os únicos afectados pela experiência "pedagógica", sendo que, de ditadura, já nós, todos os outros que rejeitaram aprendizagens aprovadas em tácticas de rastejamento, temos conta mais que suficiente para os próximos milénios de gerações.

Inconscientes meninos, delinquentes governativos que brincam às casinhas como quem joga monopólio com a vida de um povo...

E curiosamente, considerados que sejam os c. de 37% de apoiantes, atentemos a que apenas 0,1% dos 10,5 milhões de portugueses correspondem a detentores de fortuna (com património acima de 1 milhão de euros) e cujo posicionamento à direita, aqui sim, se torna compreensível, já que o instinto a todos aconselha a luta pela "sobrevivência". Não se afigura muito lógico que uma comissão de milionários, se confrontada com o assunto, escolhesse massivamente votar por sindicatos contra patrões, e no entanto, o contrário, uma legião de tesos (mesmo que em termos relativos, note-se) a votar por quem os reduzirá à miséria na primeira oportunidade já parece fazer todo o sentido.

Fica para a posteridade, destes inexplicáveis tempos lusos, a conclusão inevitável de que existem, realmente, fenómenos que não se explicam. A menos que a lógica nos empurre para uma validação em foro adequado, ou seja, na via dos insondáveis mistérios do masoquismo.

E por mais voltas que se dê à matéria, temos pena, é disto mesmo que se trata. E é isto que se joga para futuro.
 
 
Ana Vassalo
(on facebook too,
Oct 22, 2015)
 
 
 
(2)  Governo PSD/CDS altera drasticamente pensões por invalidez
Decreto-lei publicado esta terça no Diário da República, num momento em que o país discute qual será o futuro governo, vem dificultar gravemente o acesso à pensão especial de pacientes de doenças incuráveis como Alzheimer, doenças cancerosas ou sida, entre outras.
 

(1) e (2) in
 
http://www.esquerda.net/artigo/governo-psdcds-altera-drasticamente-pensoes-por-invalidez/39227


sábado, 3 de outubro de 2015

VAMOS AOS VOTOS ?

 
 
 
 
 
 
Vamos pois! 
 
E sem missão "utilitária", a não ser a intrínseca à própria circunstância de votar.
 
Apostar na diferença, em novos curricula, que merecem uma hipótese de comprovação, ao mesmo tempo que se recuperam convicções - as nossas, no acto de votar. E a esquerda apresenta-se com boa margem para escolha, com o Bloco de Esquerda renovado e reabilitado, o Livre a sugerir confiança, o  PCP a ganhar, claramente, novos eleitores.
 
Mudar, sim, até mesmo porque se demonstra difícil fazer pior que o disponibilizado por familiares e habituais alternâncias, sem que se lhes reconheça alternativa - ou trabalho sério, ou resultados.
 
'Pra melhor está bem, está bem, pra pior já basta assim.'
 
É preciso virar tudo. Do avesso, de pantanas. Já.
 
Votar pelo que se quer, em resposta ao que nos fazem crer e ousam mandar querer.
 
Tem de ser.
E Vai Ser!
 
 
No entretanto, já nos tiravam este *pre-sidente do caminho... Sim, que ninguém merece.




Ana Vassalo
Out 3, 2015


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

PORTUGAL - AYLAN KURDI CARAVAN





Foto: in página Aylan Kurdi Caravan no facebook

https://www.facebook.com/AylanKurdiCaravan?fref=ts




Porque há sempre alguém que diz Vida.

(E a Urbanos, como seria de esperar, intervindo activamente. Grande Alfredo!)
 
 
 

«Há 40 toneladas de solidariedade portuguesa para entregar aos refugiados sírios»

 
 
 
in VICE (texto e fotos)

Setembro 17, 2015

Por Sérgio Felizardo


«Enquanto as engomadas e cheirosas altas esferas da União Europeia continuam a alimentar o espectáculo absurdo da falta de entendimento sobre como gerir politicamente, ou geopoliticamente, ou lá o que seja, a enxurrada imparável de gente desesperada em fuga de um martírio sem fim à vista, em menos de uma semana a chamada sociedade civil portuguesa - ou seja uma rapaziada amiga com muitos contactos e iniciativa - mobilizou 150 voluntários em 30 locais do País e recolheu 40 toneladas de donativos para...simplesmente...ajudar.



A ideia inicial parecia simples, romântica quanto baste e, acima de tudo, prática e verdadeiramente útil. Volta-se costas ao ódio, medo e ignorância que por estes dias contaminam meio mundo em cada recanto do espaço digital, lança-se uma campanha relâmpago de recolha de donativos, agarra-se no que se conseguir, mete-se tudo em carrinhas e arranca-se em caravana para a fronteira servo-húngara para entregar directamente as coisas a quem delas precisa. Simples, certo?



Tão simples que, poucos dias depois de criar a página Aylan Kurdi Caravan no Facebook, esta rapaziada teve de montar um Centro de Operações improvisado em Alfragide, coordenar mais de uma centena de pessoas de Norte a Sul que foram criando pontos de recolha nas suas localidades, gerir todo o processo de criação de uma rota que os levasse a bom porto com todo o estabelecimento de contactos institucionais que isso representa, desde as ONG's no terreno, às embaixadas, consulados e o diabo a quatro, dividir, embalar, catalogar e carregar todo o material oferecido.  (...)



 
Pois é, nem a rapaziada esmoreceu, nem a tal Sociedade Civil claudicou e, tal como tudo no terreno - que a cada dia que passa se parece mais com um cenário de guerra - está em constante mudança, também a Caravana foi obrigada a reformular-se. As 15 carrinhas que estavam prontas para arrancar amanhã, sexta-feira, 18, transformaram-se em "dois ou três camiões TIR, devido à dimensão da carga que foi possível juntar e que já não era possível transportar no modelo que estava pensado", revela à VICE Maria Miguel Ferreira, uma das responsáveis pela organização da iniciativa. "Os veículos são cedidos por algumas das mais de 20 empresas que estão a ajudar-nos, serão seguidos por nós via satélite de forma a que consigamos alterar rotas no momento, se for necessário, e partem de Lisboa para Belgrado no sábado, 19", acrescenta.

 

Certamente, para desespero daqueles que alarvemente foram acusando os membros da Caravana de só quererem protagonismo, esta é uma solução menos "fotogénica", mas bastante mais, espera-se, "eficaz e capaz de atingir o propósito por detrás de tudo". Ou seja, como conclui Maria Miguel, "levar aos refugiados sírios, que neste momento estão num impasse terrível na Hungria, comida, roupa, brinquedos, produtos de higiene pessoal e vários bens de primeira necessidade".
Agora só têm de apanhar um avião para Belgrado, esperar que excepcionalmente a França deixe circular os camiões durante o fim-de-semana para que a viagem dure apenas três dias, confiar que todos os contactos que têm sido feitos no terreno, "principalmente com a Cruz Vermelha Sérvia", facilitem o trajecto e a chegada ao terreno, e que o processo de entrega das 40 toneladas de solidariedade tuga não seja perturbado pela desumanidade europeia.

Simples, não é? »



Ana Vassalo
Sept 18, 2015