NETOS

NETOS

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

REMARKABLE PEOPLE



FERNANDO PESSOA

(Lisboa, 1888 - 1935, Lisboa)


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


************
"I am nothing.
I will never be anything.
I cannot want to be anything.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."

or...

"I am not nothing.
I will never be nothing.
I cannot want to be nothing.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."


(Álvaro de Campos in "Tabacaria")




LISBOA - Chiado

LISBOA - Chiado
"Fernando Pessoa" by Lagoa Henriques. The place: "Café A Brasileira" (Brazilian Café) - 1905.

PLAYLIST TODAY




MUSIC IS THE PASSION REPORT



♥ ♥ ♥


PLAYING SOFTLY WHILE SOMEONE SANG THE BLUES



Saturday, Jul 22, 2017 - 17:57





SALVADOR SOBRAL - NEM EU [DORIVAL CAYMMI]



YouTube – "Salvador Sobral"





ANTONY HEGARTY + LEONARD COHEN - IF IT BE YOUR WILL [COHEN]



YouTube – "Oggmonster"





CHAN MARSHALL (CAT POWER) - I'VE BEEN LOVING YOU TOO LONG [OTIS REDDING]



YouTube – "anaruido"





JANIS JOPLIN - ME & BOBBY MCGEE [CHRIS CHRISTOPHERSON]



YouTube – "ThE DuCk"





JEFF BUCKLEY - LILAC WINE [JAMES SHELTON]



YouTube – " roberta panzeri"





DAVID BOWIE - WILD IS THE WIND [JOHNNY MATHIS]



YouTube – "Peter Music HD"







_____________________


LEANING INTO THE AFTERNOONS by PABLO NERUDA

«Inclinado en las Tardes»



YouTube - "FourSeasons Productions"






CHANGING BATTERIES - OSCAR WINNING ANIMATED SHORT FILM



YouTube - "Bzzz Day"





DIALA BRISLY - A BEAUTIFUL YOUNG LADY

(a huge thanks to my daughter who e-mailed this video to me)



BBC Newsnight

«Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman - artist Diala Brisly - who is trying to make life that little bit more bearable for Syria's kids.»

Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman -...

Publicado por BBC Newsnight em Domingo, 20 de Março de 2016






A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT

A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT



FLYING A SECRET



I got here to hide. From equations and patterns. From repetition, after all.
Closed the door and got me a special place where I thought I could
somehow sit close to the stars. But I soon found out that the sky was
still opaque, no matter what the steps. And so I left. Again.

I thought, then, I could build me a different ceiling, a new-coloured scrap
of highness. And then make it work. Where I could dream, more than I sleep.
I have long decided that sleeping is overrated - that I know for sure. So I
take that time instead to travel the night alone and in the meantime I allow
myself to fly, unlike stated before... Yes, I like playing with paradox, to
expose the inside of words and the revelation of writing down the voice of a
silence. My adventurous, ever-walking silence.

So I came back. Here, within this quiet world, I intend to gather all my
things usually kept hidden or inactive. They are here to speak.

And since the future is a stand-by secret, I want to live by a precocious
clock, at every running instant of every entering second.

And I will not slow down until my "future exists now" - kind of reverse
quoting Jacob Bronowski.


Ana Vassalo
in my site "CAFEÍNA"(former "No Flying Allowed")
Nov 11, 2010 - 11:54




THE WALK OF TIME

THE WALK OF TIME

terça-feira, 2 de julho de 2013

De Amor e Esquecimento

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Strauberry Hill
 
by
 
Jean Tatton Jones
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De Amor e Esquecimento
 
 
Acordo de mim a cada dia como se o mundo começasse aqui, exactamente em mim.
 
Cá dentro, na mente, converso com a memória os momentos, os rostos que sei ou imagino e me trazem para a vida.
 
Por mais que essa força indomável que me asfixia me empurre para baixo, existe uma outra, poderosa e completamente desconhecida que me impulsiona para cima. Não lhe sei o nome, mas imita tudo o que não tenho, no momento em que não tenho. Passa por dentro de mim, sem testemunhas, e ensina-me o caminho da saída. Para a Liberdade que não tenho, que me falha, o ar que tenho preso há eternidades, como que em redoma.
 
Penso que se o amor me escolheu a dado momento e por ele eu escolhi abdicar de tudo o que preciso a cada microinstante para respirar, então, deve estar certo e não o contesto. A escolha é minha e sei que faria tudo de novo se um qualquer mecanismo temporal me levasse ao mesmo lugar. Esse, que me fixou há quase seis anos e todos os dias me faz questionar as razões da Vida e de Deus mas me traz sempre de volta à mesma verdade – a minha.
 
Tem um nome e chama-se Mãe. Uma mãe que foi lindíssima e hoje é bela, ainda, na doença, que voava e hoje está presa no corpo. E na mente também. Que amava tudo e todos por dentro de um sorriso de açúcar e olhos líquidos de ternura, e agora nem sabe sorrir, já não fala, apenas articula palavras sem som, porque o corpo desaprendeu o básico. Uma Mãe que me chama mãe... e isso diz tudo. E que eu amo até ao limite do insuportável, que olho todos os dias com a dor terrível da frustração por não poder ajudar mais. Mas que escolhi, ou que, por tudo isso, escolhi acima de mim.
 
Mas acontece que eu preciso de espaço, ou de espaços, amplos e abertos, com céu e mar e verde e horizonte bem longe. Preciso de correr ao vento de braços abertos, de respirar o mar, de me deitar na terra, no verde dos prados, dançar na chuva, sentir os cheiros e ver a luz. Não tenho. Perdi-os para muitas paredes que me cercam quase vinte e quatro horas por dia. Então, eu que sou incapaz de viver uma porta fechada à chave se não for eu a rodá-la na fechadura, morro, pedacinho por pedacinho a cada momento que entra nos meus dias. (Não será por acaso que alguém que amei e me amou ao longo de 18 anos me chamava bandagas passarinho...)
 
E de repente, esse tal que é "não sei quê, nasce não sei onde e dói não sei porquê", traz-me de volta, reinspirada, como quem absorve todo o ar do universo, e vence por dentro de mim.
 
Amo. Amo desalmadamente tudo e nada. Pelo pensamento construo mundos, de insanidade ou de sossego, do que preciso para continuar. Abraço silêncios de conciliação comigo para depois partir ao vento com asas recosturadas que tudo sabem dos lugares de nascer livre.
 
E é como se me sentasse aqui, frente à janela aberta para um Alentejo sem fim, de sinos às cinco e planícies amarelas, restolhando no vento segredos de terras de outras vidas. Ou de um sol a deitar-se em África com cheiro de terra molhada e a luz branca das avenidas largas que me soltam no caminho em partida, além-mar, pelos navios, além-longe, um além-sempre.
 
Ao lado, talvez o meu melhor amigo, que me escuta na palavra e no silêncio, que sabe o momento que é do Outro, o momento de ficar apenas, como rocha, ou como ombro, ou como porta aberta para a luz. Sei-o ali. O que penso quando falo por dentro de mim não o olha, mas sabe-o e é importante. É bastante.
 
Perco-me, sim, pelos aléns que construo na minha janela de viagens. E enquanto os olhos fogem mundo afora, eu entendo, num lugar bem mais fundo de mim que eu própria, eu entendo que amo. Que a olho nos olhos, em aventura de conquista, em passo de roubar futuros, e a puxo para mim no mais profundo beijo que a memória guardou de tempos de beijar. Amo-a com força e com raiva, amo-a com regresso. E os abismos que venço, as noites sujas de morte que me acenam com lenços de paz e alívio, capitulam e assinam a rendição. Volto por dentro de um dia mais branco que me carrega de Vida. Essa, que amo até à loucura.
 
Porque amar é a minha condição natural, tão simples, genética, minha.
 
Pelo emaranhado que se vai desatando nesta cabeça em permanente desalinho, surpreendo-me a concluir que jamais odiei. Não há na memória registo do mais pequeno vestígio de ódio por alguém. A raiva sim, compareceu, tantas vezes de partir sem opção, tantas vezes de verdade subvertida, amarfanhada e indigna, que nos quer sitiar, roubar identidade e submeter, arrancando à inocência pedaços irrecuperáveis. Essas tantas vezes de bater a porta com estrondo e deambular pelo mundo sem rede. Mais uma vez. Mas provisória. A raiva é provisória e sucumbe logo que nos reencontramos na nossa pele, que responde ao toque da autoestima (re)conhecida.
 
E eu amo, de novo. Tenho amores de uma vida, de eras partilhadas e construção de futuros eternos, enquanto duram... Comigo é sempre para sempre. Com a vida não. Ela escolhe e actua, sem cuidar de opiniões. Acato, depois de muita luta inglória e parto. Não deixo a ninguém a tarefa de fazer as malas. Não deixo. Saio sempre pela porta grande.
 
Mas amo.
 
Tenho amores outros que nunca sairam da mente, que não foram, sendo tanto. São aqueles de uns tempos de renúncia pelo encontro dentro de mim. E posso amar muito, assim. Porque idealizo e abraço o imaginário. O perfeito imaginado que agarro do Outro e guardo calmamente até que a vida se revele e decida se o perfeito é sonho de cristalizar ou se é vida e acontece.
 
No peito estouram tempestades e a surpresa, que se arrasta e não define, dói como grades apertadas na alma. Mas acredito que há um tempo de verdades e de fins. Espero por ele, porque enfim, aprendi.
 
Nunca aprendera a espera, até não ter opção e ela me tomar a mim, por domínio. Arruinei bocados largos de vida por não saber esperar, por não querer esperar. Em todas as frentes. E ainda assim, passando por entre os destroços, reconstrui-me e venci, em todas as mesmas frentes.
 
Hoje, é um tempo de sossego por fim, aprendido por inerência, não por que o procurasse. Nunca me dei espaço a respirar entre eventos, entre amores, entre caminhos. A pressa, a pressa de saber o que está no ponto-espaço seguinte, como me torna esse lugar, o que traz de saber e emoção! A surpresa perseguida, isso sim, que é inimiga da espera e dos dias todos iguais. E depois, às vezes, a dor fina e paralisante da resposta que não se antecipou...
 
Sempre quis viver depressa, em velocidade. Até dormir, como em tempos um colega me sugeria, era “depressa”, para ganhar tempo de vigília para a vida. Mais tarde, lá pelos 35, resolvi o assunto, deixando de dormir, como quem diz reduzindo ao mínimo a inevitabilidade. Por entre directas a vencer deadlines, intercaladas com 2 ou 3 horas de sono, agarrei o tempo e fintei-o, ou as habituais 16 horas de trabalho, seguidas de um sono reparador em dose normal, matar-me-iam por falta de tempo para acordar.
 
Agora, este tempo que vivo e tudo me relativiza, que me rouba oxigénio e me retrata de cara para a parede, encarcerada dentro de uma opção assumida e inquestionável, sem volta nem solução à vista, ensinou-me muito, senão quase tudo: que para sobreviver é preciso também validar os tempos de calma, essa que nos pensa para nos recuperar. O que não tira tempo para pensar não subsiste. Não há como viver o improviso eternamente. Mata. As finanças, a confiança, os amores, o futuro. A inocência. O improviso indiscriminado aniquila tudo à sua volta. Mas também nos renasce: ensinando.
 
Volto a hoje, este dia de terça feira que me acordou flutuante. Guardo em mim um amor imenso, neste tempo de renúncia. Que não validarei. Há vidas que não se podem partilhar ainda que se queira. Conduzem somente à destruição: de um e de outro. E assim, do amor. E ficamos, depois, despojados de sentir durante épocas, eras, que nos minam por dentro e explodem no momento errado, na pessoa errada. Sei disto, como estudante aplicada.
 
E se doi, persistentemente, se teima em vingar, se não abdica e se torna presente nos dias, eu sei também, do muito que já o vivi, que o tempo mostra. Não é a fuga repetida de algo ou de alguém que nos afasta seja do que for. Oh Deus, como o sei! Podemos sequestrar o fim do mundo para nos guardar, sem aviso, e ali nos escondermos meticulosamente, que quem nos quer encontrar, encontra sempre. Então, por mais estranho e pequenino que possa soar, sei-o, de há muitas fugas atrás, que o que é para nós a nós chegará. A seu tempo.
 
Assim, muitas estradas sem Ítaca depois, aprendi a espera. E por isso agarro a Vida todos os dias, como beijo, como sopro, como universo, por mais que as noites se insinuem. Amo a Vida sempre que amo gente. E amo gente. Às vezes, muito poucas, nuns momentos de inspiração, de luz mais ampla, amo mais estreitamente, mais perto, mais corpo e alma, mais eu. Amo essa metade platónica, perdida, que corre os tempos de todos os universos pela unidade, pela reconstrução.
 
E então, apaixono-me pela vida, ainda uma vez mais. Como música, porque caminho com ela. É ela a maior parte de mim, a que me regenera e me sabe. Porque só há Vida quando há paixão, e a música nasce em paixão. Por cada ponto do cosmos, por todos os Seres, pelas Gentes, pelo Amor. A paixão pelo Amor, que é insuperável!
 
E por alguém, que me revive.
Que não me sabe, mas pressente.
 
 
Ana Vassalo

02-Jul-2013 – 09:49
 
(Song from me to me)
Train - Drops of Jupiter
 
 
YouTube "bleachcraze101"

segunda-feira, 1 de julho de 2013

lone walkers


yes, we get there.
that's when we walk out and start watching carefully each and every next step...
and we keep on walking alone for a safe while.

the necessary while, hopefully.
yes, we learn.




























Ana Vassalo
01-Jul-2013 - 19:41

domingo, 30 de junho de 2013

panos de muralha






panos de muralha
 
olho em volta
tonta em voltas
a vertigem como sombra
o lugar que aqui sou hoje
sulcado de papel amarfanhado
de ideias já feitas de chão
e uma dor pequenina que se arrasta pela mente

 
sei que além do puro mundo da evasão
não há pedaços de azul
na vida a que risquei o mar
sei
mas nem a tristeza alcança
não comparece na incromática do tempo
de um lugar que não navega

 
há poesia ausente, despedida do peito
e as palavras estão usadas
fartas de si e de terapia de alienação
juncadas no desperdício
como cinza como finais

 
há poesia ausente no cigarro ao lado
usado como amigo
que se matou por acidente
logo após matar mais um bocadinho
e é agora testemunho do tão pouco que há nas flores

 
a música informa que há um resto de oxigénio
no caminhar que se perdeu de luares e abrigo
e a noite sossega a alma em euforia emprestada

 
fomos lá, sim, ensaiar dias de festa
com acenos de regresso e alegria
e amigos por fim de improviso
roda de samba com cheiro a cravos
de Lisboa e tunas, meu amor Lisboa
(sem Castelo nem Cerca nem Santa Luzia
meu amor Lisboa que me fugiste um dia)

 
e a cerveja e o palco eterno do hábito
cedido ao riso que é esquecimento
por um dia pelas horas
um infinito de saudade
que não sai nem permanece
aguça e queima e sitia
retoma e recai e abandona

 
e leva de nós o pedaço mais frágil do mundo
a que um dia comparecemos
e a que sabíamos um só nome...

 
depois a vida depois o silêncio
que se perde pelas notas
da pauta que nos soube e era em nós

 
um pedaço de mundo arrancado
que agarra o calor do tempo
como chama sobrevivente
mascara um instante de frio
mas parte sem se virar
sem cuidar
olhos sem olhos

 
a tinta desbotada no papel amachucado
como coração quieto
como sístole dominada
como esse sossego pobre
da resistência sem ar
que um dia soube o poema
e a respiração da chuva

 
gota por gota a janela da palavra
nesse olhar que encontrado se perdia
e se vestia do branco mais vasto que há
de luz e glória e conquista
nos corpos feitos de letras
escrevendo por nós um Amor
nos muros que há por aí

 
Ana Vassalo
30-Jun-2013 – 10:24

Imagem: Lisboa, montagem - Cerca Fernandina, Bar Cerca Moura, Miradouro de Santa Luzia e Castelo de S. Jorge.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

FERNANDO PESSOA - JUNE 13, 1888 - NOV 30, 1935

 










Portrait of Fernando Pessoa, 1964

by José de Almada Negreiros (1893-1970)










Taken from the site rinabeana.com / Poem of the Day :


«   Here’s another Pessoa poem translated by Richard Zenith in A Little Larger Than the Entire Universe: Selected Poems. This one was XXXIII in The Keeper of Sheep by Alberto Caeiro (one of Pessoa’s pseudonyms). It’s such a lovely short little poem.



Poor flowers in the flower beds of manicured gardens
By Fernando Pessoa



Poor flowers in the flower beds of manicured gardens.
They look like they’re afraid of the police…
But they’re so true that they bloom in the same way
And have the same ancient coloring
They had in their wild state for the first gaze of the first man,
Who was startled by the sight of them and touched them lightly
So that he would see them with his fingers too.  

»
Ana Vassalo
13-Jun-2013 - 07:57

quinta-feira, 6 de junho de 2013

sal dos olhos abismo em flor

























The Flowers of the Abyss
by René Magritte




ah se alguém entendesse
a dor deste lugar sentado na espera
que te retém madrugada, ó mãe

se os meus olhos fossem no pranto
a força do Saber que tudo salva
e o meu peito batesse ao som do teu
que ainda resiste os mares
a roubar farrapos crédulos de espuma

se a minha mão que te afaga

soubesse o princípio da cura
e os olhos, os olhos teus,
ó mãe,
voltassem para me acender as noites largas

que já nem sentem
amorfas de latejar dor
de um dia que te prendeu
e atou um par de asas, imparáveis e brancas
que ousavam acreditar

em mundos quietos de acordar
futuros em marcha para o amor
olhos vastos de sonhar
o puro universo dos pássaros
voando impossíveis do céu

ah se os dias não fossem apenas
este arrancar de forças para te olhar
assim presa em algemas na mente
tão longe e tão presente, tão forte
ó mãe de todas as conquistas

estás aí
resistes o tempo que ensina a ordem
e a inevitabilidade da natureza
nada em ti pertence ao mundo
que abre portas na razão

os olhos ainda partem pelas auroras
mas o sorriso esqueceu
o movimento da boca
queres a vida que já não te assiste
e devia merecer-te a cada sopro

não faz mal
tudo o que não podes eu sei
tudo o que queres eu tento

e espero
nesta cansada noite de abismos
que seja o meu coração o salto cego que te resgata
e a ternura que nele se aumenta a cada olhar-te
se faça o mundo que te faltou

te beije de vidas em movimento

e o meu abraço de mar e de riso e de planícies sem fim
te seja sempre a memória, ó mãe,
mãezinha, eterna Mãe maior...

enquanto o tempo Se esquece

enquanto o tempo Te esquece


(av)

06-Jun-2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

ABOUT LOVE... WHAT DID YOU SAY IT WAS?




WHEN A MAN LOVES A WOMAN - THE MOVIE 
tough, tender, touching...

MEG RYAN & ANDY GARCIA




A CREATIVE HUSBAND...


 
 
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

"QUAND IL EST MORT, LE POÈTE..."

 
 
"QUAND IL EST MORT, LE POÈTE, TOUS SES AMIS PLEURAIENT..."
(Gilbert Bécaud)
 
"when the Poet died, all his friends were crying..."
 




AU REVOIR, GEORGES! ♥ ♥ ♥


GEORGES MOUSTAKI
(Alexandria, Egypt – 03-Mai-1934 ~~~ Nice, France – 23-Mai-2013)


Je t’ai “rencontrée” par la première fois en ‘69, j’avais 12 ans. J’étais à la troisième année du lycée, où toutes les petites filles chantaient ta chanson, Le Métèque, le vrai poème de la liberté. Moi, je la savais toute entière, c’était pure beauté: le courage de tout abandonner pour rencontrer l’âme qui nous appartient.

Tu sais, je ne l’avais jamais dit à personne, mais tu as été mon premier grand amour, à la musique. Et que tu étais beau! Sauvage et beau, avec tes poèmes qui entraient fond au coeur, en douleur!

Hier, j’ai appris une chose la plus triste: que toi, aussi, tu irais mourir un jour. Je crois que je le savais mais je n'y ai jamais pensé...

Maintenant... voilà, tu es parti!

Et encore tu restes là, au monde, qui ne t’oubliera jamais!

Au revoir, Georges!

Je souhaite que tu “pilles TANT de jardins” à ton ciel!
 


GEORGES MOUSTAKI - LE MÉTÈQUE (L'ÉTRANGER)


YouTube - "jacquessurlus"



Ana Vassalo
May 23, 2013
 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

KILLIN' TIME... & GOODBYES





KILLIN' TIME... IN LATE 2011...

Now? Just goodbye to sorrow...   




A bit better W/ HEADPHONES - pls ? :)


NO COMMERCIAL PURPOSES INTENDED. ALL RIGHTS TO THEIR OWNERS.

Just having fun - hopefully...





JOHN LENNON - IMAGINE (cover)




R.E.M. - EVERYBODY HURTS (cover)




THE BEE GEES - I STARTED A JOKE (cover)

 
 
 

Ana Vassalo
May-2013

ALMAS...






Cold Soul
by Hamed Parham




“O amor compõe-se de uma alma única habitando dois corpos”.
- Aristóteles

~ ~ ~

E um dia era assim.
Mas nada persiste quando se rasga das coisas o encanto e as condenamos a coisas, apenas.
É então que a neve cai sobre a solarenga inocência da pele.
Nasce o frio que nos leva a alma.
E já ninguém estranha.
Estranho, não é?...
 
 
Ana Vassalo
19-Mai-2013 - 06:35
 
 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

ONDE É QUE (EU) ESTAVA NO 25 DE ABRIL DE '74?










* Paulo de Carvalho - "E depois do Adeus", poema de José Niza - The 1st password-song to the revolution.



Este 'post' é reproduzido a partir do mural no facebook do Capitão de Abril JOÃO ANDRADE DA SILVA, que largos tempos antes me havia honrado com um convite de Amizade, e contém o meu comentário de 15 de Setembro de 2011 a uma sua publicação em que se debatia, exactamente, o tema da revolução de Abril, especialmente o seu significado - para os intervenientes na tertúlia:


      • Ana Vassalo - 15-09-2011 – 12:38, no mural de João Andrade da Silva:


Bom dia, meu amigo João Andrade da Silva. A este seu post eu não resisto, espero que me perdoe porque me vou alongar :)
O 25 de Abril de ‘74 teve e tem para mim um significado impossível de descrever em meia dúzia de palavras. Realmente, o próprio dia do golpe é para mim quase em branco. Simplesmente, não acreditei. Os acontecimentos que tinha vivido pouco antes, através das lutas estudantis a que me associei tantas vezes como independente, tinham-me, infelizmente, ensinado a descrença: os colegas de Liceu que desapareciam de repente e depois se sabia que estavam presos; a polícia de choque cobrindo a Estrada das Laranjeiras de cima abaixo com as suas carrinhas a que chamávamos “niveas” durante os dias de exames de 1973 no Liceu D. Pedro V, onde se concentravam muitas das acções contra-corrente emanadas do Instituto Superior Técnico; o dia em que havíamos sido trancados na Sala de Convívio do Liceu, absolutamente proibidos de mexer ou abrir a boca, mas a que resistimos cantando, (+) como já contei por aí; o mesmo dia em que fecharam os portões do Liceu com a ameaça, mais uma vez, das carrinhas “nivea” alinhadas lá fora, com as forças de “choque” fora dos carros e de armas bem à mostra, mas que combatemos do lado de dentro à pedrada, sim senhor; um outro dia de lágrima no olho, à porta de minha casa, com o meu então colega e amigo Tó Lamego contando-me que o irmão, (++)  ferido no Técnico e preso, tinha a perna em riscos de gangrenar porque a polícia política lhe impedia qualquer prestação de assistência médica; os duches dos carros da agulheta, que nos encharcavam para nos marcar; tantos, tantos atentados a qualquer indício de opinião própria, de legítima reflexão, ao pensamento; e por fim, os rumores de que a “abertura” de Marcelo Caetano estaria a incomodar demasiado a polícia política e já lhe teria valido pelo menos um atentado... Tudo isto, junto e processado, levou a que no dia 25 de manhã, ao chegar à estação de Sta Cruz para apanhar o comboio, e encontrando-me com um “velho” colega de subversões que me informa de “um golpe de estado”, a minha reacção imediata tenha sido – recordo-o como se fosse agora - “O quê, mais? Ainda não chega???”. Tinha 17 anos, na altura... O que tinha visto até aí, levava-me a adiar a fé. Ver para crer, tão somente. Depois, um ou dois dias depois, não recordo exactamente o dia, em plena Baixa e de regresso a casa, ao entrar na praça D. Pedro IV, dou com aquele quadro inesquecível: povo na rua, carros de combate contornando o Rossio, Cravos Vermelhos mudando de mãos, pessoas rindo, chorando e abraçando-se, militares debruçados dos carros estendendo as mãos a toda a gente! E eu... ali... paralisada, em estado de choque, frente ao café Nicola porque ia atravessar mas congelei. E de repente, sem aviso, a chorar desbragada, convulsivamente, sem apelo. Foi ali que acreditei. Ainda hoje acredito. E choro ainda, desbragadamente, a cada 25 de Abril, perante as imagens, que revejo sempre. Salgueiro Maia é a minha inspiração maior, quando os dias que passam hoje me dizem que o sonho acabou. Porque ele acreditou no impossível. Ele e todos os outros com ele, os que o tornaram possível, a esse dia Maior. Obrigada ♥



(+) - cantando "LIVRE", de Manuel Freire.

(++) -  o irmão, JOSÉ LAMEGO, nomeado Secretário de Estado, no pós-25 de Abril, designamente do governo de António Guterres, num dia em que chorei esta vida e todas as possíveis seguintes, de indescritíveis alegria, surpresa e emoção, debruçada, em riso e lágrimas pontuados por incongruentes murmúrios, sobre o  mensageiro, um Diário Económico de boa memória :)
 

          • João Andrade da Silva – 15-09-2011 – 14:14


"Ana muito, muito, muito obrigado o seu depoimento comove-me e os olhos dão sinal. Temos de lutar por abril, julgo que o seu depoimento deve ser partilhado na página de solidariedade do caso do julgamento da peça a filha rebelde, a partilha é um acto muito nobre de generosidade. gosto imenso que seja minha amiga virtual, mas tanto melhor será se um dia for real . se não estiver naquela página posso adicioná-la ou lá colocar o seu comentário .bjnho"

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Ana Vassalo
in facebook 15-Set-2011





      


MEMORIAL: "O CAPITÃO SEM MEDO" - "THE FEARLESS CAPTAIN"



























Aqui nada se esquece. E se, por vezes, parecer que sim, é pura ilusão induzida... 


SALGUEIRO MAIA, “O CAPITÃO SEM MEDO”

O verdadeiro líder da revolução, enquanto estratega operacional, pessoa de grande reserva que se manteve sempre em segundo plano, faleceu há 21 anos, aos 47 anos de idade. São dele as palavras que se seguem, na madrugada de 25 de Abril de ‘74:

“Ao princípio da madrugada, na parada da Escola Prática de Cavalaria, afirmou perante 240 homens: “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de estado: os Estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!” “

(in Expresso, 4-Abril-2012)

...

“Há vinte anos (há 24, hoje), quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva recusou-se a conceder àquele militar uma pensão “por serviços excepcionais e relevantes”. A atitude do então chefe do Governo provocou um sonoro coro de protestos, tanto mais que foi conhecida aquando da concessão de uma idêntica pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS.”

(in Expresso, 9-Junho-2009)
 

====///====
 

TO THE WORLD - TO WHOM IT MAY CONCERN:
 
 
Nothing here is ever forgotten. And if sometimes it'll look otherwise, well, it is mere induced illusion...
 

SALGUEIRO MAIA, “THE FEARLESS CAPTAIN”

The effective strategic operational leader of the revolution, a very private person who always kept himself into the background, passed away 21 years ago, at age 47. These are his words, early dawn April 25th, ‘74:

“Early that dawn, at the Practical School of Cavalry's parade, he said before 240 men: “Gentlemen, as you all know, there are several types of State: the social State, the corporate State and the state we’ve come to. Well, in this solemn night, we are finishing the state we’ve come to! Therefore, those who’re willing to come with me, we’re heading to Lisboa to finish the matter. All volunteering will leave and form a line outside. Those who aren’t willing to leave, stay here!” “

(quote from Expresso, April 4, 2012)

...
“Twenty years ago (24, now*), Cavaco Silva, prime minister then [and President nowadays**], refused to grant this military a pension “for outstanding and relevant services” [when the Captain was already seriously ill***]. This decision coming from the one who was then the head of Government triggered a loud choir of protest, especially since it came out at the exact same time a similar pension was granted to two agents of the extinguished PIDE/DGS” (the former status quo State police).

(quote from Expresso, June 9, 2009)


*, **, *** : the notes are mine.
 
 
 
Ana Vassalo

25-Abril-2013 – 23:55

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 ABRIL '74 - A MADRUGADA DE TODOS OS SONHOS



YouTube - "ratajana"


* José Afonso - "Grândola, Vila Morena", the 2nd password-song to the revolution.

 
 
 
YouTube - "Do Tempo dos Sonhos"
 
* José Afonso - "Cantigas do Maio", do álbum com o mesmo nome - 1971.
 
 
 
 
25 de ABRIL


Serás flor do Dia até sempre.

E nesse derradeiro sopro-vida

que me encontrará com a terra

e me há-de ser só poeira

estarás lá, caminho eterno

em sangue vivo na pele,

que a Liberdade não morre:

é respiração em Vida

e há-de ser Cravo no meu coração de adeus.
 

Serás o Hino Maior, Dia Branco deste País

até ao raiar da noite em que os corpos

dos tantos que te deram a vida por dentro da própria morte

descansem na paz do respeito cumprido pela justiça que construiram.


E nesta praça de gente madura, com estátuas de febre a arder, (1)

Serás, por fim, poema, com a razão solta nas mãos, (2)

E ambos os pés na galera, a salvo do fundo mar da espera, (3)

Pelo Sonho, que eles não sabem, e é bola colorida entre as nossas mãos-criança, (4)

Porque há sempre esse alguém que diz não, e canta no vento um país, (5)

Que busca quem é, o que faz aqui, quem abandonou, ou de quem se esqueceu, (6)

Que é uma metade alegria e outra metade ternura, nos silêncios que lhe doem, (7)

Alma jovem sem censura da História nossa, que há-de ter enredo, (8)

A maré alta da Liberdade, que há-de sempre passar por aqui (9)

E machado algum cortará a raiz ao pensamento, porque ele é Livre como o vento, (10)

Até que este nosso pé de catraia se aprenda firme ao caminhar do Mar, tão nosso... (11)

Esse, a quem Deus o perigo e o abismo deu, mas... nele é que espelhou o céu. (12)
 

Porque a força e a fé nos sussurram os tempos

que caminham algures por aí, num futuro de acreditar,

onde um qualquer mas especial Ser Humano,

Homem ou Mulher, bom e decente,

há-de nascer ainda, num Dia de se cumprir Portugal.

LIVRE.
 

Ana Vassalo

25-Abril-2013 – 13:27

Notas (1) a (12):

Referências livres a versos conhecidos de poemas de intervenção, feitos canção, escritos e musicados por alguns dos muitos bravos resistentes deste maltratado País - então como agora à deriva.

OBRIGADA para sempre a todos, “até já” aos que, lamentavelmente, nos “abandonaram” muito cedo, e um abraço reconhecido aos outros que, felizmente, ainda caminham por aí para nos inspirar:
 
  1. “VEJAM BEM” - música, poema e voz de JOSÉ (ZECA) AFONSO
  1. “ARTE POÉTICA” - poema de HÉLIA CORREIA, música e voz de JOSÉ JORGE LETRIA
  1. “AI PORTUGAL, PORTUGAL” - música, poema e voz de JORGE PALMA

  2. “PEDRA FILOSOFAL” - poema de ANTÓNIO GEDEÃO, música e voz de MANUEL FREIRE

  3. “TROVA DO VENTO QUE PASSA” - poema de MANUEL ALEGRE, música de ANTÓNIO PORTUGAL, guitarra e voz de ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

  4. “E DEPOIS DO ADEUS” - 1ª SENHA do 25 de ABRIL (seguida de “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso, a 2ª SENHA) – poema de JOSÉ NIZA, música de JOSÉ CALVÁRIO, voz de PAULO DE CARVALHO

  5. “O AMIGO QUE EU CANTO (É PORTUGAL)” - poema de JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS, música e voz de FERNANDO TORDO

  6. “QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS” - Poema de NATÁLIA CORREIA, música e voz de JOSÉ (ZÉ) MÁRIO BRANCO

  7. “MARÉ ALTA” - poema, música e voz de SÉRGIO GODINHO

  8. “LIVRE” - poema de CARLOS DE OLIVEIRA, música e voz de MANUEL FREIRE

  9. “SE TU FORES VER O MAR (ROSALINDA)” - poema, música e voz de FAUSTO (BORDALO DIAS)
  
  12.  “MAR PORTUGUÊS ” - in “MENSAGEM” de FERNANDO  PESSOA.



domingo, 14 de abril de 2013

TEMPO - TIME - LE TEMPS ...






O Tempo...


Pergunto-me, a cada fragmento seu, sobre quem é, ao que vem, o que o faz correr. Escrevo-lhe sempre, cartas, recados, inquéritos, injúrias. Monólogos, naturalmente. Numa longa relação, próxima, sempre mais íntima. O amor, o ódio. A obsessão. 

Eu, quero apenas roubar-lhe os futuros e sequestrá-los aqui, em marcha no seu pedaço que é Meu, Agora. Sei lá o que são futuros, para que servem, porque nasceram! A Vida é aqui, já! Amanhã é mero conceito, pobre mas  arrogante projecção de uma qualquer árida e despovoada ideia que inventou a esperança e a plantou na noite eterna, que sofre de espera.

Ele? Bom, ele diverte-se, entretendo-se a construir muitos jardins...

Sabes? Quando, sempre que, por fim, chegas, invariavelmente deixaste de fazer falta. Sofres de síndroma de atraso crónico e se, por raro acaso, tens algo para oferecer, perdeu-se algures no prazo, que falhas, sempre, com experiente descontracção. Meticulosamente.

O Tempo?... Para saber quem é, basta olhar o que importa ver : um sádico arbitrário, de gargalhada fácil e indiferente, disponibilizada universalmente, social e ideologicamente plural.

Democrático, o tipo, comprovadamente solidário.

Que bom - pra ele!...



Ana Vassalo
14-Abr-2013 - 19:51