NETOS

NETOS

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

REMARKABLE PEOPLE



FERNANDO PESSOA

(Lisboa, 1888 - 1935, Lisboa)


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


************
"I am nothing.
I will never be anything.
I cannot want to be anything.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."

or...

"I am not nothing.
I will never be nothing.
I cannot want to be nothing.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."


(Álvaro de Campos in "Tabacaria")




LISBOA - Chiado

LISBOA - Chiado
"Fernando Pessoa" by Lagoa Henriques. The place: "Café A Brasileira" (Brazilian Café) - 1905.

PLAYLIST TODAY




MUSIC IS THE PASSION REPORT



♥ ♥ ♥


PLAYING SOFTLY WHILE SOMEONE SANG THE BLUES



Saturday, Jul 22, 2017 - 17:57





SALVADOR SOBRAL - NEM EU [DORIVAL CAYMMI]



YouTube – "Salvador Sobral"





ANTONY HEGARTY + LEONARD COHEN - IF IT BE YOUR WILL [COHEN]



YouTube – "Oggmonster"





CHAN MARSHALL (CAT POWER) - I'VE BEEN LOVING YOU TOO LONG [OTIS REDDING]



YouTube – "anaruido"





JANIS JOPLIN - ME & BOBBY MCGEE [CHRIS CHRISTOPHERSON]



YouTube – "ThE DuCk"





JEFF BUCKLEY - LILAC WINE [JAMES SHELTON]



YouTube – " roberta panzeri"





DAVID BOWIE - WILD IS THE WIND [JOHNNY MATHIS]



YouTube – "Peter Music HD"







_____________________


LEANING INTO THE AFTERNOONS by PABLO NERUDA

«Inclinado en las Tardes»



YouTube - "FourSeasons Productions"






CHANGING BATTERIES - OSCAR WINNING ANIMATED SHORT FILM



YouTube - "Bzzz Day"





DIALA BRISLY - A BEAUTIFUL YOUNG LADY

(a huge thanks to my daughter who e-mailed this video to me)



BBC Newsnight

«Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman - artist Diala Brisly - who is trying to make life that little bit more bearable for Syria's kids.»

Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman -...

Publicado por BBC Newsnight em Domingo, 20 de Março de 2016






A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT

A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT



FLYING A SECRET



I got here to hide. From equations and patterns. From repetition, after all.
Closed the door and got me a special place where I thought I could
somehow sit close to the stars. But I soon found out that the sky was
still opaque, no matter what the steps. And so I left. Again.

I thought, then, I could build me a different ceiling, a new-coloured scrap
of highness. And then make it work. Where I could dream, more than I sleep.
I have long decided that sleeping is overrated - that I know for sure. So I
take that time instead to travel the night alone and in the meantime I allow
myself to fly, unlike stated before... Yes, I like playing with paradox, to
expose the inside of words and the revelation of writing down the voice of a
silence. My adventurous, ever-walking silence.

So I came back. Here, within this quiet world, I intend to gather all my
things usually kept hidden or inactive. They are here to speak.

And since the future is a stand-by secret, I want to live by a precocious
clock, at every running instant of every entering second.

And I will not slow down until my "future exists now" - kind of reverse
quoting Jacob Bronowski.


Ana Vassalo
in my site "CAFEÍNA"(former "No Flying Allowed")
Nov 11, 2010 - 11:54




THE WALK OF TIME

THE WALK OF TIME

segunda-feira, 11 de julho de 2016

SO, WE ARE THE CHAMPIONS!





EURO 2016



THE BEST TEAM


 
Portugal, allez allez!
 
 
 
 
Voilà!
 
 

 
Let's party!
 
 
 
____________



What about France?
 
 
 
 
Et maintenant, qu'allez vous faire?
LOL
 
 
 
 
Encore.
 
 
 
 
Tout court.
 
[ lamento, não resisti :D  ]
 
 
 
Dommage... Désolée.
 
 

 
 
 
AU REVOIR!
 
 
 
Ana Vassalo
Jul 10, 2016
 



quinta-feira, 7 de julho de 2016

WE LOVE YOU TOO, TIMOR LOROSA’E!





Atauro Island, Timor Lorosa'e




Ai, Timor

Se outros calam

Cantemos nós!

 
17 years ago, the year was 1999, I remember joining a crowd of portuguese supporters, all dressed in white, who gathered at the Universidade de Lisboa campus to express solidarity and make a stand for the East Timor independence. Jorge Sampaio was then the President, who strongly commited himself to this cause.

With tears of hope in my eyes I sang along with that huge crowd a beautiful song of support, “Ai Timor...” (Oh Timor), and never in my life will I forget that moment.
 

Here's another moment singing for East Timor:

 
YouTube: "Emrys Barros"


7 years before, a students’ initiative had already brought the portuguese together aboard a ferry-boat, the “Lusitânia Expresso”, which sailed to Timor with the “Mission:Peace in Timor” in mind and the purpose of expressing solidarity with the victims of the Santa Cruz massacre.

The boat was then threatened by military planes at the limits of the indonesian territorial waters and forced to stop and retreat by four indonesian war vessels, two days after, in March 11, and after a 3 month jorney through the seas. But before heading back home, these young people filled the ocean with flowers in memory of all the dead in the massacre. And they did succeed in bringing the East Timor’s independence issue back to the international agenda.

In 1999, following the self-determination act backed up by the UN, the indonesian government quit the control over the territory and East Timor became the first sovereign state of the XXIst century, in May 2002.


And that’s what really matters the most, above all.

 
Portuguese is nowadays one of the two official languages in the country, along with Tétum, and the country has also joined the CPLP (literally, Community of Portuguese Language Countries).

_________


The thing is I have always nurtured a special tenderness for this country and the people. It is then with great emotion that I watch these celebration images, today, after Portugal qualified for the Euro 2016 finals.



Thank you for the love, Timor Lorosa’e, we love you too!




YouTube: "Facebook Videos"

 
 

Ana Vassalo
Jul 7, 2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

THE BOOK OF LETTERS - State of oneness

 
 
 
 
 
 Art by René Magritte, Les Amants
 
 
  
 
 
Acordei sequestrada nesta ideia. Muralhas sob cerco, em motim.
 
E depois, lembrei-me de Out of Africa.
 
E que não esquecemos quem não nos libertou.
 
Alguém disse, um dia, convicto, que abraçar é encostar corações.

Ou mãos, digo eu. 
 
Encostar mãos, a vivenciar o belo, para sentir em unidade o que nos torna maiores. 
 
É fácil, comum, partilhar adversos. Mas emprestar beleza, trocá-la entre mãos, isso é amar.
 
Experienciar o fantástico, o ar tão intensamente irrespirável que nos cala um grito na garganta, esse apelo insuperável de o dividir com o coração que nos toma para nos devolver inteiros.
 
Tocar  outra mão,  num gesto de asa, como  ponte,  que nos  encosta a eternidade.
 
Amar tem de ser isto.
Saber isto.
 
Sei.
 
 
 
Flying over Africa
 
 
YouTube: "berkshire101"
 
 
 
Ana Vassalo
Jul 6, 2016
 
 
 

domingo, 3 de julho de 2016

Em viés









Hoje fui, contrariadamente e uma vez mais, confrontada com um desses indivíduos de um certo tipo, muito generalizado, a que costumo chamar “as pessoas enviesadas”. E tenho de confessar que me irritam (in)solenemente, desde sempre. Detesto o viés genético que as conforma. Vivem de obliquidade - «não sei, não sei, talvez, mais ou menos, é quase por aí, bem capaz, pensando bem, tenho de ver...» - ou de convenientes, acomodados silêncios tácticos.

Colocam-se quase sempre a uma confortável distância de matérias e acontecimentos, estudando secretamente a melhor forma de se protegerem do mais remoto, ou ainda e apenas potencial, indício de compromisso com o que quer que seja. Sim, não, talvez ou antes pelo contrário? Nada.

Ao longo da vida e em contextos diversos, tenho conhecido vários destes exemplares, aquela subcasta do viés que são “as pessoas adversativas”: «concordo inteiramente, mas...; é uma excelente ideia, todavia...; não excluo nenhuma hipótese, contudo...; pensando melhor, não é de todo a solução, porém...’». E acabam nos antípodas do lugar onde começaram.

Vivem disto. De buracos estratégicos na parede mais próxima onde se escondem ao mínimo sinal de avanço para uma decisão.

Lembro-me do Jorge, um suposto amigo durante longos anos, que o tempo viria a identificar num registo claramente oposto, e a quem jamais consegui ouvir um sim ou um não, sequer um talvez, a qualquer pergunta que lhe fosse colocada e independentemente do respectivo teor. Com efeito, um invariável «não sei, não sei...», foi tudo aquilo a que todos nós, os seus amigos, tivemos direito durante uma vida, e nem digam que iam dali. Baptizei-o, naturalmente e em concordância, de Dr. Não Sei Quê.

Não se pense que era um indivíduo particularmente mal formado, cínico, hipócrita, oportunista, como tal postura poderia sugerir. Nada disso. Era um indeciso patológico, um militante involuntário do medo: de tudo, de nada e de um par de botas. Paralisava. E era então que tendia para se aliar àqueles que tomava por mais fortes, segundo a sua própria escala de valores.

Era visita da casa, família, quase. F. tinha há muito desistido de lhe fazer as perguntas que a dado momento se tornavam inevitáveis, apesar de ser ele o grande amigo e eu a adoptada, por afinidade, deixando-me invariavelmente incubida da missão de partir pedra, que era a de conseguir arrancar uma resposta qualquer que conduzisse a uma necessária decisão.

«- Jorge, vamos todos jantar? - Não sei, não sei... - Já sei que não sabes mas vamos ou não? - A ideia é gira mas... - Jorge, vais à ‘função social’ connosco ou vais já para casa? - Não sei, não sei... - Então ciao, até qualquer dia. - Não, espera, pensando melhor... - Jorge, queres boleia para a faculdade ou vais lá ter? - Não sei, não sei... Tá, adeus. - Espera aí, que coisa, feitiozinho soviético!»

Pois claro. Fiquei sempre à espera de o ouvir rematar com uma qualquer máxima queixosa do tipo “o inferno são os outros” mas (mas!) por inerência, como se deduz, nunca aconteceu. Afinal, estamos a falar de uma asserção, algo demasiado volátil e irresponsável para qualquer adversativo que se preze.

Devia chegar de exemplos, dir-se-á. Engano, falta o melhor. Aquele melhor, numa noite em Avis, com boa parte do staff arqueológico todo junto de férias, jantar lá pelas 7:00 no bar do mosteiro - que isto de enxadas, picaretas, peneiras, colheres e pincéis traz muita fome -, copos e estrafego demorado num deixa-te ficar em que fomos ficando.

Lá pelas onze, vá de regressar ao parque. Constatação colectiva: onde é que já vai o jantar! Tudo fechado, nem uma nesga de néon comercial, e fome de cão. E eis que num raro golpe de sorte, aquela miragem de cafézinho escondido se perfila – oh santa ermengarda dos famintos desalmados! - já em pleno encerramento de portas. Qu’é lá isso?, raide concertado, invasão pela comitiva.

O que é que há de simples para comer?, ah e tal, como assim, a esta hora?, qualquer coisa, tanto faz, temos fome, ah tá bem, batatas fritas! Resmas de pacotes, cada um com o seu exemplar bem guardado, que é como quem diz, todos excepto o Jorge. Queres batatas, Jorge? Não sei, não sei – forreta, insuperavelmente avaro, coçando a cabeça à espera da borla. E foi ali, naquele momento, que a cabala, em armas erguida, elegeu o dia para lições. Confiante, surpreendeu-se já cá fora, portas fechadas, sem nada para comer. Moita-carrasco, parte de fraco nem vê-la.

Chegados ao parque, todos dentro dos carros, aos molhos, cada um armado de seu pacote de batata, e o Jorge, banco traseiro com ele, nada! Avaro mas cómico, que isso ninguém lhe há-de negar, arranca, lá de trás, num esganiço em falsete, “quero batatas...”, que desmanchou o pessoal todo. Não teve sorte. A aposta tinha de ser ganha, a lição exemplar. QUE-RO-BA-TA-TAS! Silêncio sepulcral. QUEROBATAAATAS – gutural!

A Natacha, em fase adolescente e concomitante boa vontade fora do mundo, vá de estender as batatinhas lá para trás. Mas também não, argumentou aquele braço forte de permeio, a abortar a tarefa – F. em acção. Resignada, vira-se para ele, encolhe os ombros em sinal de desculpa e ri-se perdidamente. E lá foi, noite dentro, aquele espectáculo por mais de uma hora, num desenfreado QUÉ-BATAAATAS mostrengo. Que, por sinal, foi adoptado pela família cá de casa e dura até hoje, mesmo ao lado do “não sei-não sei”.

Mas bolas, não foi por aí que tomámos a Bastilha. O Dr. Não Sei Quê manteve-se vitaliciamente inamovível, no seu posto de indeciso. E a moral é directa: não há cura para o viés.

Depois, há o mundo do trabalho, onde estes enviesados adversativos constituem aquela tal, única e legítima, verdadeira praga. Entopem as reuniões a poder de longos monólogos, complementares da complementaridade incompleta anterior, expandem-se longamente por pontos essenciais que rasam a essência teimosamente ao lado, e vá de argumentar, insistente mas paulatinamente, em modo conta-gotas, vá, sobre as posições que ainda não decidiram se defendem ou se deixam para apreciação ulterior, num razoado de colateralidades sem fim.

E tudo naquele registo de encadeado argumentativo e lógica lapidar que acha cauteloso rumar ao Algarve, passar num pulo por Coimbra seguindo para Badajoz, para chegar por fim e em segurança a Monção. E quando perguntamos porquê Monção, afinam, irritados com a gritante falta de visão interlocutora, ganindo ofendidos enquanto disparam tratar-se da melhor opção para chegar a Kathmandu.

Tenho de admitir: não tenho um fósforo de paciência para gente assim. O pragmatismo, aquela linha de raciocínio directo, apostada na aplicação prática de um postulado da geometria plana que determina ser um segmento de recta a distância mais curta entre dois pontos, representa para esta trupe obliquada algo de aparentado com uma ciência obscura, assim na linha do paranormal.
 
E desconfiam, retraem-se, indagam apreensivos, muito embora tenham de pensar, mas com calma, se optam pela roda, o carro de bois ou a locomotiva. Há que dar-lhes tempo. Do passado, que isto de futuros é conceito abstracto, a explorar com esmero - e ainda que, todavia, quem sabe, uma vida não chegue.

Até dar bronca, claro. Aí pára tudo, aqui d’el-rei, que nunca falharam o seu contributo, ao contrário dos restantes baralhados incompetentes nas suas interpretações do viés e respectivas conjunções várias.

E é quase sempre nestas alturas que me assalta a bernarda e sou tomada de uns rasgos de bestialidade adversativa condicionante: «não sei, não sei mas talvez não fosse mal pensar melhor e nos entretantos que antecedem os finalmentes, anda cá comigo, aqui à janela, se faz favor, estás a ver ali a esquina da rua com os anúncios luminosos, mesmo à direita, a piscar tão lindos?, faz-me a gentileza e vai lá num pulinho ver se eu lá estou».

Não é que não vão, porque vão mesmo, se dúvida houvesse. E antes assim que infelizmente, bem vistas as premissas.

O problema é que voltam.




 
 
 
Ana Vassalo
Jul 3, 2016

sábado, 2 de julho de 2016

“Las puertas no se abren si tú no estás”





[ Foi há dois dias que a minha querida amiga Tania Estrada Morales, apresentada via net por uma outra amiga querida e ex-colega, Mónica Brás da Silva (mais uma menina das matemáticas e programações), me desafiou para uma espécie de parceria: escrever um poema subordinado ao título de um belíssimo conto seu, um título que eu adorei. Eis que a minha tarefa está cumprida. Em português, porque é a minha língua-pátria. ]


 
 





image source: web (edited)
 
 

          “Las puertas no se abren si tú no estás
 
 
 
 
Quando voltares, rega o arbusto pequeno que sobreviveu a tua ausência
           e se esconde atrás do pote grande de barro, lá fora, na entrada.
 
           A casa está fria de branca chuva, a cal a partir-se de saudade,
           enquanto os livros, desbotados de tempo, vão caindo em folhas soltas
           de abandono.
 
           Não pises as romãs que se esqueceram de resistir. Elas estão vivas,
           só lhes morreu a vontade de serem altas, por não te sentirem chegar.
           Agora dormem, baixinho, por um instante de descanso.
 
           O gato da rua de trás ainda vem sentar-se no poial da casa ao lado,
           para te receber. E sabes, adoptei dois cães. Um já morreu.
           Mas a cadelinha segue-me ainda, e parece procurar a tua sombra,
           deitada a um canto da porta da rua, em espera, como se um dia
           te tivesse conhecido.
 
           E os discos, empilhados ao lado dos invernos que nos acolhiam em natal,
           ainda acreditam em ti e no som das tuas mãos correndo o velho piano
           só para mim.
 
           O forno no lar da cozinha fechou-se, de desamparo. Lembra ainda
           os momentos em que o trazias à vida, para que a tua loucura
           me emboscasse a madrugada, com pão quente barrado a manteiga
           dos céus, aqueles pães pequeninos que preparavas de surpresa,
           para me acordares num quente sussurro de ternura.
 
           Quando voltares, pega a chave no canteiro, entra devagarinho e liga
           todos os circuitos em repouso. E quando subires à sala, não esqueças
           aquele degrau, o terceiro, ferido desses defeitos do campo
           que enumeravas por entre sarcasmo e alegria, de quem se sente por fim
           em casa.
 
           Pousa o casaco na cama do quarto cá de baixo e deixa os bolsos
           à mostra, com esse papel de poemas a espreitar, para que o descubra
           logo que chegue.
 
           Liga o aquecedor lá em cima e dá um jeitinho teu no caos
           do  esquecimento. Já sabes que entristeço se o surpreendo primeiro.
 
           Há café, vê no armário sobre a mesa da cozinha, a máquina ainda deve
           funcionar, e não esqueças, põe as bebidas no frigorífico. A noite há-de
           recordar-nos sempre, com vodka e gin e pepitas de romã, chin-chin!,
           batata palha com passas de aperitivo e caretas de enjoo a rematar,
           só para não termos de alinhar pratos.
 
           Monta o xadrez, que temos uma desforra por cumprir, e depois,
           prepara o carro para largarmos pela noite.
 
           Senta-te cá fora, de mansinho, na cadeirinha de verga, que eu hei-de
           estar a chegar.
 
           Jantar no bar do mosteiro, sim? Melão e presunto com flores de uva
           e cereja, gin tónico a borbulhar, pimentinhos em azeite, gaspacho,
           esporão de vida a rodar e café quente com lua. Na noite que tudo ouve,
           cá fora, histórias de mundo e de nada, a cisterna, mesmo ao lado,
           é lugar eterno preso a um instante, por um amor certo de acontecer.
 
           A casa sabe. Sabe de tudo o que esquecemos. E sobe aos meus olhos,
           fria, a partir-se de saudade.
 
           A chave afunda-se no tempo. E as portas morrem devagar.
 
 

          Ana Vassalo
          Jul 2, 2016
 

 

terça-feira, 21 de junho de 2016

ENCHANTÉE!





Soyez les bien-venus!




Quem nasce na selva dificilmente se encanta por betão.

É o "seu" caso? É seguramente o meu, com mais ou menos metáfora.

Importa que podemos levantar a nossa selva na cidade, demonstrando o quanto ela nos pode “civilizar” de bosques que valem a pena.

 




 
 
ZAZ - JE VEUX
 
  
YouTube: "Augusto Júnior"
 
 _________
 
 
English translation by "Frenchlations.blogspot"
  
 

I want

 Give me a suite at the Ritz hotel, I don't want that
Chanel's jewellery, I don't want that
Give me a limo, what would I do with it?
Offer me staff, what would I do with it?
A mansion in Neufchatel, it's not for me
Offer me the Eiffel tower, what would I do with it?
 
I want love, joy, good spirit
It's not your money that will make me happy
I want to die with a hand on my heart
Let's go together, let's discover my freedom,
Forget all your prejudice, welcome to my reality
 
I'm fed up with your good manners, it's too much for me
I eat with my hands, I'm like that
I speak loud and I'm direct, sorry
Let's end the hypocrisy, I'm out of it
I'm tired of double-talks
Look at me, I'm not even mad at you, I'm just like that
 
I want love, joy, good spirit
It's not your money that will make me happy
I want to die with a hand on my heart
Let's go together, let's discover my freedom,
Forget all your prejudice, welcome to my reality
 
 
 
 
Ana Vassalo
Jun 21, 2016
 
  

segunda-feira, 20 de junho de 2016

EDUCATION - WHAT ABOUT IT?

















Dreaming bigger, by Pat Cegan - Wordpress







Just think...
 
Michael Moore - "Where to invade Next" - Finland

 
YouTube: "Luis Andrade"


_______________





 
ai Portugal, Portugal

... trocaste a alma e o coração
pela ponta das tuas lanças...
 
... e depois perdeste o gosto
de brincar com as tuas crianças...

ai Portugal, Portugal
de que é que tu estás à espera
tens um pé numa galera
e outro no fundo do mar
 
ai Portugal, Portugal
enquanto ficares à espera
ninguém te pode ajudar
 
 
― Jorge Palma
 
 
 
Ana Vassalo
Jun 20, 2016
 
 
 

domingo, 12 de junho de 2016

FRAGILE - THE FULL EXTENT








shouldn’t we be wearing some caution label?


please handle with care
- when toys ‘r us
harshly struck by a virtual split.
 
the space between
longing to be soften persists
in a quiet endless spiral
where words have always
proven to be very necessary.
silence’s a gap
the uncrossable void
to full reunion.
 
and hurt is the abyssal cut
detaching mountains of silk.
 
hearts do shut in roughness.
love eventually subsides.
and the wild wolf cries of loneliness
casting shadows in the woods
while the night song struggles
whispering soft lullabies
in a hopeless crowded world
of live screaming concrete.
 
stars keeping apart
should become at reach
lights united
skies made bright
on their journey back to endearment
where justice is tall
and holds a new winning land
in the brave arms of forgiveness.
 
or are we friends with Time?
does he know us ?
 
hope. trust. love.

words are fragile
so very fragile
yet so very necessary...
 
division should rather multiply
and people learn to embrace
sometime before they die.

 
 

Ana Vassalo
Jun 18, 2016


quinta-feira, 9 de junho de 2016

SOFTWARE UPDATE - NEW RELEASE








Yay!
 
It looks like there’s a new me coming to town!

Just got some news from central supplier: old “me” model has been discontinued.

Hung up, ran to the attic, took a quick look at emergency inventory, realized it’s run out of spare parts, called back.

Not given much details but it seems that a radically different, absent, uncaring, don’t give a shit “me-version” is to be expected.

New media support’s on its way, I’m told, immediate download is mandatory.
 

                        - Should i proceed as usual? - I asked
                        - Has it worked for you?
                        - Yep, every single time...
                        - There you go!
                        - Ok... Do I need to return obsolete media?
                        - Just burn it. You know how it works: new version, no looking
                          back, ever.
 

That was all, no further input.

All back in place, now.
Operating system keeps running smoothly.

Thought of the day: neither the time nor the inclination to share anybody’s messy data.

So, here’s to great changes:

CHEERS!




Ana Vassalo

Jun 9, 2016
 


STEVE VAI - I'M THE HELL OUTTA HERE
 

 
YouTube: "Karius7"


segunda-feira, 6 de junho de 2016

DO AMOR FELIZ






                            Art by Amy Marie Adams, Embrace



                                                                      I don’t suppose I really know you very well - but
                                                                      I know you smell like the delicious damp grass
                                                                      that grows near old walls and that your hands
                                                                      are beautiful opening out of your sleeves and
                                                                      that the back of your head is a mossy sheltered
                                                                      cave when there is trouble in the wind and that
                                                                      my cheek just fits the depression in your
                                                                      shoulder.
                                                                                                                    ― Zelda Fitzgerald






Pedem-me verdade, todos os dias. O que não deixa de ser curioso, como se há-de notar...


 
Se tenho saudades do amor?...

Mas seria possível não ter?

 
Amar e ser amado é um dos campos da questão e está preenchido. Exercer-se nesse amor, é um outro. Ao Tempo falta a coesão numa ideia de Amor, da generosidade que ele comporta. Chegar ou não, vencer, eis a questão.


Porque, de amor, o que eu espero hoje é, exactamente, essa mesma “verdade”, toda a verdade e nem um malabarismo mais que a verdade.

Terna e simples, praia ou desassossego, fria, chama, talvez crua, até naufrágio. Mas é o que espero e o que sempre pedi, como requisito único: a verdade por horizonte.

Talvez por sentir que nela se guarda a secreta morada da união, a casa que nos soma consecutivamente como um.


Agora... Se tenho saudades do amor? Sempre.
 

De amar sem equação nem fronteira, do sentir desordenado, de correr com o coração, sem gps, por um outro que se perdeu no meu.

De pensar o amor como criança: não o pensando.

Tenho essa imensa saudade de fusão, de rir, sonhar, disparatar, escrever traços de vida a dois.


Como um dia, outros dias, aconteceram todos os princípios.
 

Mas não da dor que comparece, tomada de pressa e inflada de poder, para nos despenhar, sem aviso, no chão da nossa inocência, quando a razão se perfila e nos estampa no coração aflito a transitoriedade da coisa certa e verdadeira, selada a mãos juntas sobre o livro dos afectos que um dia nasciam vida.

Não da mentira que a culpa faz chegar-se à frente, em nome de uma qualquer distorcida noção de protecção.

Ou do lento homicídio daquela cumplicidade que pensáramos inesgotável e nos fazia militar na construção de cada maravilha, que era o pensarmo-nos arquitectos de um só mundo, feito de nós.

Não do desespero, da busca insana, errando a vida por uma explicação que reponha a ordem no caos da memória, rasgada de sentir.

De ter de partir sempre, de largar tudo querendo ficar, porque o sonho que pensámos não era e não foi, afinal, e esse amor tão recitado só já se reconhece nas avenidas omissas de caminho, juncadas de esquinas de indecisão e rotina.

Não dos silêncios opressores, afundados na tv, no jornal diário ou no pc, das pantufas fabricadas nas usinas do deixa andar, o mesmo tanto faz que se abisma depois com o nosso próprio e imprevisto silêncio, ou, menos ainda, do moribundo beijo na boca com até amanhãs que ansiamos acordem ontem.

Saudade nenhuma da falácia que de repente nos cerca as horas e quer fazer-se ouvir por entre a dormência que nos pára, a fraude desse outro que nos chora ao ouvido – e como chora... - lutando por se renovar em votos de amor eterno, há muito perdido na negligência dos cansaços da imaginação, do apreço arquivado, da atenção agendada.

Tampouco do ciúme irracional, ou do cuidado que acorda tarde e a más horas, em retoma perdida, para perceber que não somos, jamais fomos, não queremos ser item garantido de ninguém.

Ou da fuga da lealdade, transviada por becos escusos, que no mais etéreo dia de promessas nos juraram para a vida e logo morre em segundos às mãos indiferentes da cobardia, convocada por uma qualquer leviandade de serviço.

Menos, muito menos, de ser secretamente exibida como montra, a imagem e a juventude tomadas como asset, o cérebro usado e abusado em projectos culturais “comuns” de proveito unilateral, adivinhe-se para que lado, e de repente somos só mais um nome nos livros editados, perdido numa infinda lista de agradecimentos, em jeito de recompensa final, mas nunca uma palavra de apreço, a “inteligência” sempre reclamada e exibida a serviço, explorada mas inibida logo que destacada pelos pares...

Não, nunca mais, utilitário vivo de multitarefa que consta - involuntariamente porque ingénuo - ordeiro e funcionário “por detrás” do homem de sucesso, ou seja, no único lugar que alegadamente lhe compete.

E que saudade pode subsistir de palavras que nos trespassam de dor, o insulto demolidor armado de luva branca e crueldade, fazendo-nos questionar a legitimidade da própria existência?


Nada carece de promessas de eternidade, desse fictício mas arrogante desejo de controlo sobre algo que não nos pertence, como pretende o casamento ou qualquer tipo de união reclamada na posse.

O amor sobrevive de verdade eterna, enquanto dura. Há que honrá-lo até ao fim.

 
Mas sim, tenho saudades, sempre tive saudades do amor.
 

Desse que se mostra em puro rosto, nos fixa a perder de vista, branco e amigo, a cada momento de vencer a vida.

Dos olhos que projectam céu a cada porta de uma galáxia sem fim, das bocas unidas em fome e ternura, urgência e poesia do coração que pulsa um outro peito e para sempre se embala na mesma canção.


Saudade, assim.

De um certo, imagético, amor feliz, que projecto em verdade mas ainda não conheci.



Ana Vassalo
Jun 6, 2016