NETOS

NETOS

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

JOÃO - MARIA ANA - PEDRO

REMARKABLE PEOPLE



FERNANDO PESSOA

(Lisboa, 1888 - 1935, Lisboa)


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


************
"I am nothing.
I will never be anything.
I cannot want to be anything.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."

or...

"I am not nothing.
I will never be nothing.
I cannot want to be nothing.
Apart from that, I have in me all the dreams in the world."


(Álvaro de Campos in "Tabacaria")




LISBOA - Chiado

LISBOA - Chiado
"Fernando Pessoa" by Lagoa Henriques. The place: "Café A Brasileira" (Brazilian Café) - 1905.

PLAYLIST TODAY




MUSIC IS THE PASSION REPORT



♥ ♥ ♥


PLAYING SOFTLY WHILE SOMEONE SANG THE BLUES



Saturday, Jul 22, 2017 - 17:57





SALVADOR SOBRAL - NEM EU [DORIVAL CAYMMI]



YouTube – "Salvador Sobral"





ANTONY HEGARTY + LEONARD COHEN - IF IT BE YOUR WILL [COHEN]



YouTube – "Oggmonster"





CHAN MARSHALL (CAT POWER) - I'VE BEEN LOVING YOU TOO LONG [OTIS REDDING]



YouTube – "anaruido"





JANIS JOPLIN - ME & BOBBY MCGEE [CHRIS CHRISTOPHERSON]



YouTube – "ThE DuCk"





JEFF BUCKLEY - LILAC WINE [JAMES SHELTON]



YouTube – " roberta panzeri"





DAVID BOWIE - WILD IS THE WIND [JOHNNY MATHIS]



YouTube – "Peter Music HD"







_____________________


LEANING INTO THE AFTERNOONS by PABLO NERUDA

«Inclinado en las Tardes»



YouTube - "FourSeasons Productions"






CHANGING BATTERIES - OSCAR WINNING ANIMATED SHORT FILM



YouTube - "Bzzz Day"





DIALA BRISLY - A BEAUTIFUL YOUNG LADY

(a huge thanks to my daughter who e-mailed this video to me)



BBC Newsnight

«Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman - artist Diala Brisly - who is trying to make life that little bit more bearable for Syria's kids.»

Syria is devastated by five years of war - and it's taken a huge toll on the country's children. Here's one woman -...

Publicado por BBC Newsnight em Domingo, 20 de Março de 2016






A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT

A JOURNEY BACK TO ENDEARMENT



FLYING A SECRET



I got here to hide. From equations and patterns. From repetition, after all.
Closed the door and got me a special place where I thought I could
somehow sit close to the stars. But I soon found out that the sky was
still opaque, no matter what the steps. And so I left. Again.

I thought, then, I could build me a different ceiling, a new-coloured scrap
of highness. And then make it work. Where I could dream, more than I sleep.
I have long decided that sleeping is overrated - that I know for sure. So I
take that time instead to travel the night alone and in the meantime I allow
myself to fly, unlike stated before... Yes, I like playing with paradox, to
expose the inside of words and the revelation of writing down the voice of a
silence. My adventurous, ever-walking silence.

So I came back. Here, within this quiet world, I intend to gather all my
things usually kept hidden or inactive. They are here to speak.

And since the future is a stand-by secret, I want to live by a precocious
clock, at every running instant of every entering second.

And I will not slow down until my "future exists now" - kind of reverse
quoting Jacob Bronowski.


Ana Vassalo
in my site "CAFEÍNA"(former "No Flying Allowed")
Nov 11, 2010 - 11:54




THE WALK OF TIME

THE WALK OF TIME

sábado, 5 de abril de 2014

PARTIDOS NOS GOVERNOS CONSTITUCIONAIS DA REPÚBLICA PORTUGUESA - TEMPO EM FUNÇÕES




GOVERNOS CONSTITUCIONAIS DA REPÚBLICA PORTUGUESA - TEMPO DE GOVERNAÇÃO POR PARTIDO/COLIGAÇÃO
PARTIDO(S) INÍCIO FIM TEMPO TEMPO ACUMULADO POR PARTIDO(S) (EM MESES)
PARTIDOS NO GOVERNO → PS PSD/CDS
I PS – Mário Soares, PM 23-09-76 30-01-78 16 16

Rejeição de moção de confiança.
II PS+CDS – Mário Soares, PM 30-01-78 29-08-78 7 23 7

Desentendimentos entre os partidos no poder.
III ALFREDO NOBRE DA COSTA AGO-78 NOV-78 3 M


(De iniciativa presidencial) Rejeitado programa do Governo pela A.R.
IV CARLOS A. DA MOTA PINTO NOV-78 AGO-79 8 M


(De iniciativa presidencial) Rejeição de moção de confiança.
V Mª LURDES PINTASSILGO AGO-79 JAN-80 5 M


(De iniciativa presidencial) Dissolução A.R.
VI AD – PSD+CDS+PPM – Francisco de Sá Carneiro, PM 03-01-80 09-01-81 12 23 19

Falecimento do Primeiro-ministro.
VII AD – PSD+CDS+PPM – Francisco Pinto Balsemão, PM 09-01-81 04-09-81 8 23 27

Aceitação de pedido de demissão do PM
VIII AD – PSD+CDS+PPM – Francisco Pinto Balsemão, PM (E não, não é erro) 04-09-81 09-06-83 21 23 48

Aceitação de pedido de demissão do PM
IX PS+PSD – Mário Soares, PM 09-06-83 06-11-85 29 52 77

Desentendimentos entre os partidos no poder.
X PSD – Aníbal Cavaco Silva, PM 06-11-85 17-08-87 22 52 99

Aprovação pela AR de moção de censura.
XI PSD – Aníbal Cavaco Silva, PM 17-08-87 31-10-91 51 52 150

Termo normal da legislatura.
XII PSD – Aníbal Cavaco Silva, PM 31-10-91 28-10-95 49 52 199

Termo normal da legislatura.
XIII PS – António Guterres, PM 28-10-95 25-10-99 49 101 199

Termo normal da legislatura.
XIV PS – António Guterres, PM 25-10-99 06-04-02 30 131 199

Aceitação de pedido de demissão do PM
XV PSD+CDS/PP – J.M. Durão Barroso, PM 06-04-02 17-07-04 28 131 227

Aceitação de pedido de demissão do PM que assumiu a presidência da comissão europeia.
XVI PSD+CDS/PP – Pedro Santana Lopes, PM 17-07-04 12-03-05 8 131 235

Executivo nomeado pelo PR com base no anterior acordo de incidência parlamentar entre os dois partidos. Termo por dissolução da AR pelo PR.
XVII PS – José Sócrates, PM 12-03-05 26-10-09 56 187 235

Termo normal da legislatura.                          [autoria: AnaVassalo-05Abr2014-17:16:00]
XVIII PS – José Sócrates, PM 26-10-09 21-06-11 20 207 235

Aceitação de pedido de demissão do PM
XIX PSD+CDS/PP – Pedro Passos Coelho, PM 21-06-11 05-04-14 34 207 269

Em funções.





17,25 22,42





17 anos e 3 M 22 anos e 5 M







OBS.:

> Este ficheiro foi criado em Excel. Logo, todos os cálculos estão efectuados automaticamente através das fórmulas adequadas, que o programa permite.
> Todas as fórmulas contêm a função ROUND, o que significa que todos os valores foram arredondados segundo a regra geral de arredondamentos.
> O valor final em anos assume no resultado o cálculo do valor parcial correspondente à proporção dos  decimais sobre 1 ano - ou seja, sobre 12 meses. Assim, 0,25 = 1/4 do ano = 3 Meses, etc.
> Foram excluídos da contagem os governos de iniciativa presidencial, independentemente das suas ligações partidárias, por dizerem respeito à nomeação de pessoas e não de partidos.
 

Nota:
Autoria deste trabalho acrescentada a vermelho no corpo do mesmo em 05-Abr-2014 - 21:04, após a sua primeira publicação neste blogue às 17:16:00. Direitos Reservados.


Ana  Vassalo 
Abril 5, 2014 - 17:16:00


quarta-feira, 26 de março de 2014

Rosa dos Ventos




Girl at the Sea, by Joana Kruse



Amanhã para mim
 
 

[ Porque hoje, eu não tenho amanhãs. Sou mais um desses tantos portugueses a quem arrasaram o futuro. Mas insisto em construir outro. Com ou sem reforma congelada. Com iniciativas, que invento por aí. E essa antiga, grande lata de afronta que sempre tive e não me deixa sucumbir a poderes escusos, matadores de velhos com 57 anos. ]
 
 
 
Não, o mar não tem fim, lembras-te? Vai, navega para sempre essa ideia que cantavas de mundo largado aos ventos com rosa. Não deixes o peito ancorar na sombra das águas que morrem ao meio-dia.

 
 
Ana Vassalo
on facebook

Mar 13, 2014

“DATAS” – II || Poesia por um dia






[A propósito de mais uma “data”, um outro dia mundial.]



Não há dias para as coisas, há coisas para os dias.
Gostar ou não, ser ou não. 
E há querer.



 
 
 


Ana Vassalo
on facebook
Mar 21, 2013

 

“DATAS” - I || 8 de Março - Os dias por contar







São muitos DIAS para chegar.
Dias sem hora nem calendário.
E faltam outros tantos. E mais uns quantos.
 
 
 
Ana Vassalo
on facebook
Mar 8, 2014

ZECA AFONSO


 



























JOSÉ Manuel Cerqueira AFONSO dos Santos
Aveiro, Ago 2, 1929 – Setúbal, Fev 23, 1987

 

Saíu, por um bocadinho, há 27 anos. Jamais partiu.

Bravo sem prazo, Cigano algum dia, Nobre índio de praia-inteira, o Beijo dos mundos, Redondo Vocábulo da longa noite, Grades que não vencem, um País como vida, a Morte com ruas de gente, Voz-passaporte, Lugar-sede do amor. Que deu nome próprio à Liberdade.
 
Supremo, Irrepetível, José Afonso.
Saudade, gratidão.
O amor é muito além do tempo.



Ana Vassalo
on facebook
Feb 23, 2014

Fotos (3): autores desconhecidos.
Montagem: Ana Vassalo.


JOÃO




The Sound of Water, by Dale Witherow
(fineartamerica)


João
(5 a.)

[que fala em velocidade de vertigem e decibéis de arraso]

 
Vó, fecha ali, tens de deixar a banheira encher de água para eu brincar no fim, sim?
Mas João, depois de tomar banho vais ficar a brincar na água suja?
Não está suja, avó, porque a primeira já saíu, esta é boa, tens de fechar para eu depois me deitar lá dentro.
Vai piorando, João, se te vais deitar nesta água não vale a pena tomar banho, não é?
Em sorriso bom, de olhos escancarados: vale sim, vó, não estás a perceber: eu deito-me sempre lá dentro, no fim, gosto tanto de ouvir a água!


Ana Vassalo
c/João Duarte
18-Fev-2014

MARIA




































Soft Toys
(The Gift Experience)

Maria
(3 a.)


E então, entre uma colher de sopa e outra, ela pegou-me na mão, puxou-a para si, estendeu-a bem esticadinha em cima do suporte para papas da sua cadeirinha, tocou-me os anéis um por um, rodou-os, depois olhou por uns segundos as argolas que me pendem das orelhas e encarando-me com um sorriso largo e maroto de descoberta, concluiu: vó, tu também tens brinquedos!...

Ana Vassalo
c/Maria Ana
18-Fev-2014


sábado, 22 de fevereiro de 2014

"Os pinos redondos nos buracos quadrados"



































 
 
[Escrevi esta coisa qualquer por alturas de ano novo, com dois ou três amigos em mente, infelizmente sequestrados nos mundos da “depressão” ou a caminho dela, em estado de  sofrimento indescritível que, às vezes, só às vezes, me dão a conhecer em formato abreviado. Com carinho imenso e muitas dúvidas partilhadas, guardei em mim um desabafo, noite adentro, que não mais parou de martelar as horas. E então, num impulso, soltei-me à terapia costumeira que conduz a mão que leva a ideia, e a caneta, de uma penada, verte para o papel, em velocidade de estrondo. E é por eles, por mim e os meus cíclicos desencontros comigo, e, certamente, por quem entende, que a deixo aqui, seja lá qualquer coisa o que não for.]

 
Quando um coração se fecha, faz muito mais barulho do que uma porta.” - António Lobo Antunes



“EVIDÊNCIAS”
 
Há um mundo subterrâneo, ainda que vagamente entreaberto, num tipo muito específico de autores que só quem vive uma vida sobrevivente de uma espécie de estádio latente, em recolha, de “loucura” dominada por uma razão a que se aprendeu as voltas e se manipula para a normalidade, reconhece. É um universo que não se mostra mas existe no avesso das coisas que quase sempre se prefere inexplorado. É um arrepio de verdade monstra na complexidade emaranhada dessas tais muitas coisas a que olhamos o lado simples nos dias para que o sono de adaptação não se acorde.

Há espaços negros de revelação, do óbvio que afinal não era. E há doença. Doença de saber as correntes de força e desvio que se debatem na mente quando se procura outras explicações. E depois há a fronteira... que não há. Essa tal porta que se cria entre sanidade e ausência de fuga para outras paragens difíceis de traduzir, e que sabemos a qualquer momento pode escancarar-se. Ou fechar-se com estrondo, dependendo da perspectiva.

Por baixo das vidas quotidianas sem lugar a tempo de olhar, move-se em lava um mundo de infernos por arder mas à espera, em ânsia de arder e queimar todas as portas de fronteira, à conquista da luz dos dias. Para lá do normal - ou do que se pensa assim.

As evidências são para os estúpidos, terá afirmado Lucien Fèbvre numa conferência – dizem... Nunca consegui citar isto, para debate, sem que a polémica estale de imediato e se torne guerra em segundos. E no entanto, a mim, surge-me pacífico. É evidente tudo aquilo que se explica a si próprio, sim, mas isso acontece num mundo de combinação prévia do que cada coisa representa, do que se enunciou que “é”, mas que afinal se valida somente naquele código de comunicação da lógica que se tomou para formulação.

E pouco me dizem argumentos, que já ouvi, como “o vidro parte-se e isso é uma evidência”, porque o que para mim subsiste é saber o que é o vidro, porque se chama assim e não vatencurst, blablabla ou papel; como é que os cacos retornam a vidro e o vidro se cansa em cacos; porque há estruturas moleculares tão diferentes; porque é que o peso depende da gravidade que o torna, ao vidro, mais cliente de quebras; porque umas vezes, o mesmíssimo vidro, se parte quando cai e outras não; ou porque há quem pense que importante é saber que o vidro se parte, para que as evidências descansem.

Ou, por outra via: porque a visível evidência do nosso quotidiano sistema de notação decimal (base 10), por exemplo, que nos permite rapidamente fazer contas no café ou nas compras, é inexistente nos vários outros sistemas de numeração - binário (base 2), octal (base 8), hexadecimal (base 16) ou sexagesimal (base 60) - e vice-versa: é a combinação prévia do código de “existência” que lhes confere, a cada um, a dignidade de evidente.

Há por aí milhões de perguntas na “evidência” do vidro ou do número, resmas de dúvidas na evidência da “verdade” - e, por arrasto e implicitação, da “mentira” - que não vêem com frequência o seu nome no dia “normal” das ideias.

E a ideia é uma construção em construção, que se desenha e se apaga, e se edifica de novo aos ombros de ideias vizinhas que passaram pela vida num momento determinado de aprender novos desenhos. Os que procurámos, apenas. Porque eles fecham-se em copas, os desenhos disponíveis de cada ideia: passam discretos, como quem cultua o anonimato, até que alguma nova associação ocorra por repetição de passagem em busca, e os reconheça por fim.

Há uma dor pequenina por detrás de cada “evidência” que pode virar a ideia de conhecido num segundo de descoberta das muitas “outrevidências” de cada verdade incontestável. É a dor da inconveniência de saber o diferente.

Quando se baixa ao inferno da verdade que mostra a inverdade de todos os estabelecimentos que respondem a um código de lógica restrita, não se volta jamais à origem. O ponto de partida mudou-se entretanto para outro lugar de incerteza que é preciso encontrar de novo para descodificar. É vasto o universo e nele vão ficando perdidos muitos pontos de partida que um dia foram exclusivos e auto-explicativos.

Lá por baixo do mais baixo plano da vida, movem-se retratos de realidades que não se mostram à superfície mas minam as instalações da superfície. Sente-se que há mundos paralelos em potência de formação na verdade que se conhece mas que se escusam à verdade que se conhece. E desce-se, desce-se até ao limite do visível e palpável por uma mente instável, de curiosidade, doente de ansiedade por conhecer o que só acena, lá em baixo, onde o inferno é a certeza de que não somos só o que alcançamos em modo de normalidade e que o que percepcionamos em falta não se deixa alcançar sem a dor do desvio classificado em catálogo.

A “loucura” que dominamos todos os dias para a aceitação torna-se em mão fechada que o medo não nos permite usar para abrir portas outras, as que guardam universos de muitas outras evidências em marcha. Porque a verdade é transitória e os olhos só vêem o que o cérebro autoriza num dado momento, o que se escapa das poucas portas entreabertas.

E provisório é tudo, e TUDO é SÓ o que se conhece, e sabê-lo dói como parto, quando por fim se percebe que estamos em modo contínuo de nascimento para muitas vidas amontoadas numa só que se ergueu em domínio de liderança e silencia as restantes, para que ela própria seja possível.

Depois de saber... não há como ignorar. Mas obrigam-nos a ignorar. E chamam-lhe normalidade. Normalidade que mais não é do que aceitar como evidente uma só lógica de detecção de evidências, quando sabemos que ela se subordina à manutenção de uma estrutura ideária do “visível” que responde à própria preservação do edifício.

Somos sequestrados dos dias que não descobrem. Que se sentaram e vivem a quietude da “paz de espírito”. Volátil como é, vagueia, encontra, pergunta, defronta-se com os silêncios de serviço e retorna a casa, onde por fim se resignará a uma cadeira de apaziguamento, estrategicamente colocada à porta da escuridão. São loucos os que se levantam, a destroem e reconstroem para novo fôlego, para a arrasar de seguida, uma vez mais. Os que se sentam só para descansar, se levantam e partem vezes sem conta à demanda do entendimento são os loucos do mundo.

Há livros, autores, que nos levam de viagem ao fundo do inferno de desconhecido que somos - e algumas vezes vislumbramos, se tivermos sorte. Porque é lá que se encontra a explicação da dor. De saber que não podemos ser tudo o que podíamos ser de mundo. Mas a ousadia dos que teimam custa caro. Por isso andamos por aí, tantos de nós, disfarçados de está bens. Dá jeito.

O resto, há-de compor-se. Em normalidade.

E isso, contaram-nos, é bom.

Quando, ao ler, se entra num mundo determinado que alguns autores nos emprestam, percebe-se que a evidência abana, que tudo nasce frágil, em colapso iminente, pronto a ruir. Viram-nos o mundo do avesso, o lado que importa e que responde. Por isso gosto deles. Há décadas sem fim.

Ana Vassalo
02-Janeiro-2014 – 07:59


Título: tradução literal de excerto de "Here's to the crazy ones", de Jack Kerouac, tradução que pode ser também convertida em "Os deslocados".
 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"Nunca encontrei um pássaro morto na floresta"





How's the pain that starts running out of my heart, by Dmitry Bukhrov


 
 
"Os pássaros quando morrem caem no céu."
 
José Gomes Ferreira 





Ana Vassalo
on facebook in Jan 28, 2014

Contrato de Promessa




Empty Kingdom, by Andre Kohn




Espelhos tristes de janela parda, 

o trigo queimado de luares sem noite, 

meu Tejo em sequestro no mar sem razão...

Olhos rasos. Um dia.


Um dia, vou tomar o mundo.

 
Só para tocar-lhe a mão, dizer que lamento, atar-lhe a ternura.

E depois dou-lhe uma casa.
 
 
 
Ana Vassalo
on facebook in Feb 15, 2014
 

Janelas (II)




Morning Sun, by Edward Hopper



Há dias de gelo que trazem pedacinhos de estrela agarrados, sem pré-aviso. Passam devagar, baixinho, pelo avesso da razão, quase só acenando. Mas aquecem. A lembrar janelas que valem a pena.
 
 
Ana Vassalo
on facebook in Feb-01-2014
 
 

Delicado




 
 
Gosto que me leiam sem desvirtuar. Que me entendam no que sou, não no reflexo Outro em mim. Gosto de mundos reais, da palavra que nasce honesta – delicada mas directamente. 
 
Percebo muito, acuso pouco – gosto da paz, é suave. Permanecer pode não passar de uma virtualidade - delicada. Porque é na alma que esse seu toque, o delicado, nos atinge. E eu não quero trocar a minha por uns patacos de ego montado em guerra fria. São os muros de agressão quem esconde os céus e arrebanha a luz. Edificam-se fronteiras para a escuridão dos mundos.

Eu, gosto de canela, gengibre, café forte, de manjericão. De lugares antigos, de roubar mundos crescidos, de “polis”: índias, arábias e chinas ancestrais, que tudo emprestaram a grécias e romas. E sobretudo gosto de demandar etiópias, terras de longe e segredo, para descobrir mais. Gosto do conhecer: do simples que há em saber.
 
Mas lá, distante ou perto, aqui, “delicado” será sempre uma palavra de toque, de pele e alma, o desenho suave de cada letra com música: de porcelana, sedas e chá.

 
O resto é saída.
 

Ana Vassalo
on facebook in Jan-08-2014


 
DAMIEN RICE - DELICATE

 
YouTube: "lelalilalo"


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

ANTÓNIO BORREGO - NUVENS





[ Aos Amigos, a Palavra – II ]

Os meus amigos pessoais que escrevem e cuja escrita me agarra e prende por coração e razão  soam diferente, e não por acaso: é que eles próprios o são. Quando "diferente" quer dizer boas notícias para o mundo. Porque são especiais. E assim é a palavra que os liberta.
 

António Borrego,
 
n.   Tolosa    – Portalegre (Alentejo)   – Jan-195X;
v.   Setúbal –  Lisboa.







 
 
António Borrego
2012


Posted by Ana Vassalo
Jan-03-2014

JOSÉ F. VICENTE – TESTEMUNHA DO CLANDESTINO




[ Aos Amigos, a Palavra – I ]

Os meus amigos pessoais que escrevem e cuja escrita me agarra e prende por coração e razão  soam  diferente, e não por acaso: é que eles próprios o são. Quando "diferente" quer dizer boas notícias para o mundo. Porque são especiais. E assim é a palavra que os liberta.



 
 
José F.Vicente,
 
n.   Serpa    –     Beja
(Alentejo)– Jan-195x;
v.   Olhão    –     Faro.




 
 
 
 
Todos os dias são véspera de partires,

partida para os que te abrem as portas para paisagens sem ruínas.

Queres ir só...

Conhecer o mundo independente de nós

como se a alteração que sofreram as nossas mãos

ao deixarem de estar entrelaçadas

fizesse de mim o finito

mais perto da entrada do nada

que foi tornarmo-nos testemunhas do clandestino.

Ah! Fiz de mim

o caminho que já te é alheio,

a viagem da alegria em queda,

o amor a odiar-me a existência,

a vida a ir contigo uns passos atrás,

inoportuna e ridícula com o que fiz de nós.

Aqui fico, com as mãos sublevadas

a inventar adeuses como espadas esperando por bainhas

que terão o teu nome gravado.

Ah! Como anseio aninhar-me nelas

e em riste esgrimir o passado sem este véu nos olhos.






- Separation, arte de Anca Sandu

 


José F. Vicente
Set-24-2013

 
Posted by Ana Vassalo
Jan-03-2014

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FELIZ 2014!

 


Street art by Banksy, Life is Beautiful.
 
 
 
"PORQUE METADE DE NÓS É AMOR. E A OUTRA METADE... TAMBÉM!"
 

Obrigada a todos os meus amigos e família queridos que tanto ajudaram a tirar peso ao meu denso ano de 2013 - que agora vai nas horas de adeus e espero q por lá se dê muito bem.
Obrigada por todas as boas lições que ficaram, por toda a generosidade partilhada, pelas boas gargalhadas emprestadas, por tudo o que convosco me foi possível aprender, pela diferença feita com a companhia boa no minuto exacto e que pode tornar-se tão marcante naquele momento tal que corria todas as ausências sem fim.
Que o vosso novo ano seja feito da união de todas as metades de vida soltas, que algures se desencontraram, e a reunião se celebre por fim em luz, no coração que se reabre e acredita o futuro como coisa de voltar sempre, e ousa roubar atrito ao caminho.
E que por mais contrários que nos cheguem os ventos, não nos vençam o olhar menino de continuar. Seja ele o grito, por mais que sóis e luares se apaguem: há uma metade de vida que é arte e espera por "mim", à espreita, num cantinho de esperança que me desafia. Com muitas tintas de cor num mundo que sabe o traço à justiça.

Feliz 2014, meus queridos! 

« METADE

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher (ou homem) que eu amo seja pra sempre amada(o)
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimento
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.»
 
Oswaldo Montenegro

- arte de rua por Banksy : "A Vida é Bela".
 

Ana Vassalo
on facebook in
Dec-31-2013
 

FÁCIL

 
 
 
 
O Ano é Novo e quer entrar. FÁCIL. E a Porta, é Nova?

FÁCIL.
É o dia que se acorda e sem partir descobre.
É a música certa que não se pensou mas nos sai ao caminho da manhã.
É a ética da preguiça compensada. A resposta de afronta ao cans
aço da fábula laboral com formiga.
FÁCIL é dizer não, agora não, que estou a ser o tempo que me pertence.
E é gastar palavras sem reputação, nascendo os dias de correr ventos.
É olhar muito, para ver mais, sem nenhuma ideia antiga sobre ver.
FÁCIL é ser-se sem grilo ao ouvido e decidir a surdez à voz refém de aprovações.
É dar de ombros à teoria e sair sem hora nem carta ao assalto de portas trancadas.
O FÁCIL é aquela espécie de lógica do Ser-se a si próprio, sem censor do lado de dentro de todos os exteriores ao lado.
Difícil, é aceitar que FÁCIL é a coisa mais difícil, de tão vastamente inconhecida.
E no entanto, precisa-se. De muitos, muito mais dias imponderáveis, trocando voltas à gravidade.
Deixa que corra FÁCIL! Depois vê-se, e é futuro. Pois se ainda não foi, porque há-de ser agora?
Tão FÁCIL, isto...
Difícil é vencer muralhas à insónia da razão.
Esse utilitário fantástico quando, por fim, adormece.
Que não é preciso enunciar as flores, sabes? Elas são, e de ser se bastam, para que o FÁCIL aconteça Vida.
Vai-te embora, ó coisa explicativa!

Deixa, vou eu.
Que assim é mais fácil.

Ana Vassalo
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Dec-27-2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

NATAL





AOS AMIGOS

é de vagas essa luz
fermento vivo de olhar
que ao mundo se abre e seduz.

e faz-se o dia em coração
catedral do gesto amar
que é de flores esse pão
do sal que amanhece o mar.

forno de ternura viva
que um abraço de pontes cativa
na luz coragem de acreditar.
 
 
Aos meus amigos queridos eu desejo um Natal de estrelas num bolsinho cheio de céu remendado junto ao peito. Vamos roubá-las juntos, e que nada nos canse por aí, muros, florestas ou medos, que qualquer coisa de estrela há-de nascer em futuro.
Beijo grande, luz de esperança. Sempre.


Ana Vassalo
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Dec 22, 2013