[Porque eu sou muito feliz no Natal, alegre como os meninos, mesmo por entre as tristezas dos natais que hoje são, gostava muito que todos fossem, embora saiba que não é assim... Quem me conhece sabe que todos os anos eu vivo esta febre, que eu própria não sei explicar, uma certa luz que volta a mim e eu não consigo nem quero apagar. Quero apenas dividi-la... E grande seria a prenda, se por um bocadinho, que fosse, eu assim o conseguisse. Feliz Natal, meus Amigos ♥ ]
Christmas Hope by Tim Haydon
Estrela
Natal é isto... de ser menina...
É tudo o que sei viver
quando me dispo da Vida.
Estas fitas de cetim
suspensas da alma em festa
no afago de penteá-las
como novas de aprender...
A cada sonho por ser
que me acena uma outra vez
são olhos de casa quente
estes que trago em Dezembro
quando nasço outro lugar
E a cada luz que me acendo
na árvore que se escondia
em pó dos tempos que limpo
mora um princípio de mim
estrela presa ao meu caminho
que antes fora luz do fim
E é nessa estrada do encontro
o adeus que despede o frio
que nasce um futuro certo
da rosa a crescer em branco
na neve que conquistou
Natal é isto... onde me aqueço
de ser criança sem morte
galopando o céu eterno
num cavalo faz-de-conta
que salta ao mundo sem rede
pela janela fechada
Sento-me aqui, pequenina
tenho embrulhos de surpresa
nas mãos que abrem saudade
papéis rasgados na pressa
de sinos p’la madrugada
Lá dentro toco infinitos
do que não sei da promessa
mas trazem cheiro de novo
perfume de um dia aberto
a nascer devagarinho
no presépio da esperança
Procuro os olhos de mel
e a mão segura de céus
que são do amor mais velho
Abraço o fruto do ventre
que me devolve à lembrança
certo dia para sempre
do tempo a nascer feliz
E corro no trilho célere
dos que são continuação
bebo as suas gargalhadas
de quem tem no bolso a vida
que vai buscar o Natal
E é no frio estéril lá fora
na casa dos sem-abrigo
que a alma veste de fé
o que os olhos não aceitam
Aqui onde me acolho
ternura presa ao luar
filho de um eco mais quente
sou esse dia que creio
luz acesa da mudança
Natal é isto... é o que sonho...
Uma carícia de fé
que arde em fitas de cetim
o amor antigo de vidas
a crepitar de amanhãs
E a Justiça que é criança
a pulsar contentamento
no coração desta Noite
há-de ser Estrela maior
que nasce de bater certo
o peito abrigo do Mundo!
Ana Vassalo
20-12-2011 – 01:19
in facebook, meu Grupo "Atlântico Bar-Clube"
20-12-2011 - 15:37
Imagem: "Christmas Hope".
BORN FREE...
I WAS INDEED
BUT MORE IMPORTANT
IS TO DIE FREE.
I WILL!
MY MIND WILL ALWAYS BE MINE.
A PROPÓSITO DE MEDO E DEMOCRACIA
(DE LEITURA CONVENIENTE *APENAS* AOS VICIADOS NA LIBERDADE)
Numa altura em que, em molho e à velocidade da luz, surgem por aqui mil e um Eventos a participar e Causas a defender, de cuja utilidade efectiva e bem intencionada se salva a interessante quantidade de uma boa meia dúzia - sou optimista ;) - apetece-me, então, e com igual legitimidade, falar sobre Intervenção e Colectivo. Sobre Democracia. E Medo.
Ontem foi um dia agitado, pelas melhores razões - que derivaram das piores - em que alguns de nós se juntaram aqui para debater a última moda desta "coloquial" network: borracha, lápis azul, tecla DEL... CENSURA, SIM! Essa mesma, a dita!, por via de dedos céleres ao serviço de cérebros bastante menos que os dedos, é um facto, mas aí! E cada vez mais activa, verdade, atarefadíssima!
O medo é uma solução perversa, uma noite imensa. O medo, creio-o com convicção e desde muito cedo, não colhe nem acrescenta: submete e paralisa. Inventa o escravo, e valida-o... Não sou fã, temos pena.
Aos projectos de Censores desta rede, espalhados por aí em Grupos, Causas e outras Páginas públicas, tantas de conteúdo ideológico específico, que se entretêm a apagar entradas desconfortáveis, expressões de desacordo de terceiros - objecto de aceso e grato debate ontem, algures neste meu círculo de amigos - eu costumo responder tal como fiz em 1973, aos 16 anos: CANTANDO!
Fechada compulsivamente e ordenada ao silêncio - corriam rumores de uma manifestação à porta do Liceu, da parte da tarde - eu e, está bom de ver, mais umas centenas, já que decorria o intervalo "grande" (20minutos), na enorme Sala de Convívio do D. Pedro V, e vinda das cantorias, com o "homem da guitarra" ao lado a segredar-me "ninguém disse nada sobre cantar" ;), levantamo-nos, ele e eu devidamente sincronizados por um olhar cúmplice, e quando, aos primeiros acordes da guitarra, ele dá vida e som ao objectivo, eu reconheço-o e arranco a cantar "LIVRE", de Manuel Freire... Ao mesmo tempo que, desde o outro lado da sala, disparado em alvoroço, se precipita para nós o zeloso e habitual "fiscal" de serviço - quem não o lembra?
Mas as surpresas existem, e a restante massa estudantil, em grande maioria habitualmente indiferente - salvo uns quantos activistas do MAESL (movimento onde nunca me filiei, porque já então era Independente e Livre, mas com quem frequentemente colaborei e me misturava para a "confusão"), os tais dos muitos q tudo arriscavam por todos nós - inesperada e progressivamente começa a levantar-se e, um a um, vai juntando a sua voz! Em 73, quando o preço a pagar era excessivamente caro... Mas a questão é que, de repente, não havia como identificar os "subversivos". Porque agora... já eram TODOS!
Um dia, talvez, acredito eu com esperança militante, todos perceberemos a importância de assumir um NÃO que é devido no momento certo, da UNIÃO para a justiça, da força do Colectivo pela razão do que é justo. E então, só então, o Medo será neutralizado.
Até lá, vamo-nos contentando com arremedos de Democracia - numa altura em que os potenciais Empregadores já não dispensam uma consulta aos nossos perfis no facebook, só para tirar dúvidas "et à cause des mouches" :) - porque pior que uma realidade fria só mesmo a morte da ilusão, pois.
Por aqui, canto e cantarei sempre, porque a memória está viva. A quem interessar, fica o tema, letra e vídeo.
http://www.youtube.com/watch?v=5-8hARztZ2w
"LIVRE
(Poema de Carlos de Oliveira
por Manuel Freire, música e voz)
Não há machado que corte
a raiz ao pensamento,
não há morte para o vento
não há morte!
Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida
sem razão seria a vida,
sem razão...
Nada apaga a luz que vive
no amor do pensamento
porque é LIVRE COMO O VENTO,
PORQUE É LIVRE!"
---
"O Homem da Guitarra" - já identificado na nota do facebook, com a respectiva autorização, dá pelo nome de JOSÉ MANUEL PAIVA SANTOS, meu colega de Liceu e companheiro de cantos, subversivos e outros mas todos de bom-gosto ;), e por fim, não menos importante, de aventuras políticas, sim. Tem perfil no facebook e escreve divinamente.
Ana Vassalo
25-Jul-2011 - 13:05
posted on July 25-2001 - 13:19
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