
Título e Autor Desconhecidos
[A propósito de
"Silêncio e Tanta Gente"
de Maria Guinot
"(...)
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou
(...)"
Li de novo, ouvi de novo, e apeteceu-me
muito disparatar, a propósito da asfixia
de talentos, daquilo e de tudo - e de
coisa nenhuma, talvez...]
A FESTA
Veio a banda
e o alecrim
o artifício
do fogo alado
chegou o mago
de bandolim
gasto
de tão procurado
veio o futuro
alvoroçado
meio perdido
na combustão
vieram índios também
e os cowboys já retirados!
fantasia por medida
que a festa finge que é sonho
e o sonho quer-se na mão
e veio sem falta o discurso
a palavra farta e lassa
o povo feito à chalaça
e a medalha
o acidente
reparado na memória
os contentes
os eternos alinhados
e um livro feito de histórias...
levaram pão
alma de enfeites
que o dia é de papa e bolos
um garrafão
de sorriso a ferros
copos erguidos aos berros
fruta que é cheia de inverno
calada
e uma bica de alegria!!!,
só mais uma vez
requentada
um homem chega
com um abraço de guitarra
e o outro visa
sem mesmo ver
a multidão apinhada
soando o piano
que nele acredita
chega o poeta
que ainda crê
no poder da voz aflita
e o cantor
que se finou
no dia em que se ausentou
do verso a rimar com chita
ele é assobio daqui
e o bocejo que se afasta
o bardo grita que basta
e a banda chora um sorriso
fraco e mal percebido
no metal que se empoleira...
e vem a palmada nas costas
a ilusão dos iguais
que se cumpre em festarola
o "democrata liberal"
solidário por um dia
bem treinado na ciência
de aquietar a consciência
e o mano que esconde a ganza
sorri sem dentes de esperança
mas acredita que vive
o outro que se lambusa
couratos e tinto cheio
sente que é livre por fim!
resta depois esse tal
que se sacode num esgar
de beijos e mãos a mais:
guarda a lista de presentes
que se esqueceu de comprar
acena, grita que grita
que o futuro está no ar!
o punho erecto
que jamais sente,
LIBERDADE!
eis o que mente
e sem sombra de remorso
pelos bastidores se vai!
Veio a banda sem contrato
o alecrim sem aroma
o fogo que se afogou!
a medalha
jaz guardada
no bolso da emoção
tentado pela eternidade
quase sempre merecida
conhecida sempre tarde...
o cantor enrouqueceu
o poeta, pobre faleceu
e o piano rendeu-se
à noite que paga mal
a fome que um homem tem
a malta...
de parca trouxa abraçada
ensaia o passo até casa
e segue o fio da madrugada
na luz que a verdade tem
e bebe água de enfiada
e o meu país
corre um rio
cansado e morto de frio
sem cais
ou foz conhecida
nesse mar que já foi vida
Ana Vassalo
in facebook notes
13-03-2011 16:14
Origem das Imagens: site "MacYapper" (blogspot)
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